Familiares de detidos na Venezuela dizem que governo não cumpre promessa de libertações após captura de Nicolás Maduro pelos EUA.
O debate sobre a libertação de presos políticos na Venezuela voltou a ganhar força após a chegada de Nicolás Maduro aos Estados Unidos, capturado em uma operação militar em Caracas no início de janeiro. Embora o governo venezuelano tenha anunciado a soltura de dezenas de detidos, famílias e líderes da oposição afirmam que o número está longe do prometido e pressionam por mais transparência.
Ramón Guanipa, filho do líder opositor Juan Pablo Guanipa, afirmou que o presidente norte-americano Donald Trump não deveria “se deixar enganar” pelo que descreveu como um gesto insuficiente do governo venezuelano. Segundo ele, o mandatário dos EUA talvez não tenha sido informado de que pouco mais de 40 detidos haviam sido libertados, diante de um universo superior a 800 considerados presos políticos por organizações de direitos humanos.
A promessa de libertações foi anunciada dias após a captura de Maduro, quando o governo interino venezuelano afirmou que tratava-se de um ato de boa vontade. O gesto foi festejado por Trump, que declarou nas redes sociais que o país havia iniciado o processo “de uma forma grande”. A oposição, porém, relatou frustração com o ritmo das solturas e cobrou maiores garantias.
Ramón, vinculado a setores próximos a María Corina Machado, afirmou que sua família esperava que Juan Pablo estivesse entre os primeiros a deixar a prisão. Detido em 2025 sob acusações de terrorismo e traição, o político havia se escondido após denunciar a eleição presidencial de 2024 como fraudulenta, posição que recebeu apoio da ONU e não foi reconhecida pelos EUA à época.
A decepção inicial, segundo o filho, transformou-se em motivação para exigir que o governo interino e Washington mantenham pressão até que todos os presos considerados políticos sejam libertados. Organizações internacionais afirmam que o caso será um teste crucial para medir a influência norte-americana na transição política venezuelana.
Enquanto isso, o anúncio de que o emblemático centro de detenção El Helicoide será fechado adicionou um novo elemento à disputa. O prédio, concebido nos anos 50 como um símbolo do boom petroleiro venezuelano, tornou-se um ícone de violações durante o governo Maduro. Diplomatas avaliam que o fechamento pode servir como sinal político para o cenário internacional, mas ainda não há datas definidas para a desativação completa da instalação.
Redação
Referência: https://www.bbc.com/news