Plantando informação de qualidade.

Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 13:28

Exportações da China superam previsão em novembro

REUTERS/Tingshu Wang/Foto de arquivo

Compartilhe:

Remessas avançam para mercados fora dos EUA, ampliam superávit e revelam retomada parcial, enquanto importações seguem fracas e expõem demanda interna baixa.

As exportações da China apresentaram um desempenho acima das expectativas em novembro, impulsionadas principalmente pelas remessas destinadas a mercados fora dos Estados Unidos. Em meio ao cenário de tarifas elevadas aplicadas pelo governo Donald Trump, os fabricantes chineses intensificaram a diversificação comercial e ampliaram suas vendas para regiões como Sudeste Asiático, União Europeia e Austrália. A palavra-chave desta matéria é exportações da China.

Os dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas mostram que as exportações cresceram 5,9% em relação ao ano anterior, revertendo a queda de outubro e superando amplamente a previsão de 3,8% estimada por analistas. Já as importações subiram 1,9%, abaixo das expectativas do mercado, o que reforça a visão de uma demanda doméstica ainda fragilizada pela crise no setor imobiliário.

A tarifa média dos EUA para produtos chineses está atualmente em 47,5%, nível que reduz a margem de lucro de exportadores e empurra as empresas a buscar novos destinos comerciais. Como reflexo, as vendas chinesas para os EUA despencaram 29%, enquanto as exportações para a União Europeia cresceram 14,8% e, para a Austrália, 35,8%. O Sudeste Asiático também registrou aumento de 8,2% nas importações de produtos chineses.

Imagem: iStock.com/halbergman

Com essa redistribuição dos fluxos comerciais, o superávit da balança chinesa atingiu US$ 111,68 bilhões, o maior desde junho. No acumulado do ano, o saldo comercial ultrapassou US$ 1 trilhão, impulsionado por itens como componentes eletrônicos, máquinas e semicondutores, cuja demanda global permanece elevada.

Apesar do avanço nas exportações, indicadores industriais sugerem um ano desafiador em 2026. Pesquisas do PMI mostram contração pelo oitavo mês consecutivo, evidenciando incerteza e falta de novos pedidos sólidos. Paralelamente, ainda que alguns segmentos demonstrem força — como terras raras e soja —, o consumo interno segue fraco, especialmente na construção civil, afetado pela queda nas importações de cobre.

Enquanto isso, o governo chinês busca reagir. O Politburo prometeu adotar medidas para estimular a demanda interna e reduzir a dependência das exportações. A Conferência Central de Trabalho Econômico, prevista para os próximos dias, deve definir metas estratégicas para 2026, incluindo ajustes de política monetária e novas diretrizes industriais.

Mesmo com os desafios, analistas acreditam que o redirecionamento comercial continuará ajudando a China a manter participação relevante no mercado global, apesar das barreiras impostas pelos EUA.

Redação

https://www.reuters.com/