EUA, Rússia e Ucrânia intensificam negociações em meio a impasse sobre fim da guerra
O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, deve se reunir nesta quinta-feira (5) em Miami com o chefe do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov, informou a Casa Branca. O encontro ocorre em um momento de forte movimentação diplomática entre Washington, Moscou e Kiev, mas ainda sem avanços significativos para um acordo de paz.
A nova rodada de conversas acontece dois dias após Witkoff participar de uma reunião de quase cinco horas com o presidente russo Vladimir Putin, no Kremlin. Apesar da longa discussão, o porta-voz russo, Dmitry Peskov, afirmou que não houve “qualquer compromisso” em relação ao fim do conflito. O presidente Donald Trump classificou o encontro como “razoavelmente bom”, mas ponderou que é cedo para prever resultados, dizendo que “são precisos dois para dançar tango”.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybhia, reagiu com ceticismo às investidas diplomáticas, afirmando que Moscou precisa “encerrar o derramamento de sangue” e acusando Putin de “fazer o mundo perder tempo”. Questionado sobre a percepção de Witkoff e Jared Kushner – que também participou da reunião em Moscou Trump afirmou que ambos acreditam que Putin estaria disposto a encerrar a guerra.
Mais cedo, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky declarou que novas reuniões entre representantes dos EUA e da Ucrânia ocorreriam “nos próximos dias”. Em mensagem publicada no X, ele disse ver “uma oportunidade real” para avanços diplomáticos, mas reforçou que qualquer negociação precisa vir acompanhada de “pressão contínua sobre a Rússia”.
Pontos de impasse seguem sem solução
As conversas recentes geraram preocupação entre líderes europeus e ucranianos, que temem que o rascunho de um possível acordo esteja excessivamente alinhado às demandas russas. Um dos conselheiros de Putin, Yuri Ushakov, confirmou que algumas propostas americanas foram consideradas “aceitáveis”, enquanto outras foram “duramente criticadas” por Moscou.
Dois pontos continuam sendo os principais entraves:
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o destino dos territórios ucranianos ocupados pela Rússia, e
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as garantias de segurança para a Ucrânia após o fim da guerra.
Kiev e seus aliados defendem que a solução mais eficiente para evitar um novo ataque russo seria permitir a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Moscou rejeita categoricamente essa possibilidade e Trump já expressou posição contrária à adesão ucraniana à aliança militar.
Segundo o Kremlin, a questão da Otan foi um dos temas centrais discutidos no encontro em Moscou.
fonte: BBC