Prefeito, primeira-dama e vereadores são acusados de integrar organização criminosa que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos
Uma operação do Ministério Público do Maranhão (MPMA) resultou na prisão de praticamente toda a cúpula política do município de Turilândia, no interior do estado, por envolvimento em um esquema milionário de desvio de recursos públicos. As investigações apontam que mais de R$ 56 milhões teriam sido desviados entre os anos de 2021 e 2025, por meio de contratos fraudulentos e empresas de fachada.

Entre os investigados estão o prefeito Paulo Curió (União Brasil), a primeira-dama Eva Curió, o vice-prefeito, 20 vereadores, um ex-vereador, servidores públicos, empresários e contadores ligados à administração municipal. O prefeito se entregou à polícia em São Luís na quarta-feira (24), após permanecer dois dias foragido. Com a apresentação dele e de outros investigados, todos os mandados de prisão em aberto foram cumpridos.
A ação faz parte da Operação Tântalo II, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), como desdobramento da primeira fase da operação, realizada em fevereiro deste ano. Ao todo, foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão em diversos municípios maranhenses, incluindo São Luís, Pinheiro, Barreirinhas e São José de Ribamar.
Como funcionava o esquema
Segundo o MPMA, o esquema era liderado pelo prefeito Paulo Curió, com apoio direto da vice-prefeita Tânia Mendes e da ex-vice-prefeita Janaína Lima. A organização criminosa utilizava empresas de fachada para simular contratos com a prefeitura, emitir notas fiscais falsas e desviar recursos públicos.
Entre as empresas investigadas estão o Posto Turi, SP Freitas Júnior Ltda., Luminer Serviços Ltda., MR Costa Ltda., AB Ferreira Ltda., Climatech Refrigeração, JEC Empreendimentos, Potencial Empreendimentos, WJ Barros Consultoria Contábil e Agromais Pecuária e Piscicultura.
De acordo com as investigações, o Posto Turi, pertencente a Marlon Zerrão, recebeu mais de R$ 17,2 milhões da prefeitura. Parte desse valor teria sido utilizada para custear despesas pessoais, incluindo o pagamento de faculdade de medicina da ex-vice-prefeita Janaína Lima. O restante era repassado ao prefeito ou a pessoas indicadas por ele.
Crimes investigados
O Ministério Público aponta indícios da prática de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Alguns vereadores tiveram a prisão preventiva convertida em medidas cautelares, como prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica. Já o prefeito e a vice-prefeita cumprem prisão preventiva no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.
As investigações seguem em andamento, e o MPMA não descarta novas medidas judiciais.
Fonte: Metropole