Empreendedorismo feminino no Brasil atinge recorde histórico
O empreendedorismo feminino no Brasil registrou um crescimento de 27% nos últimos dez anos, alcançando o maior patamar da série histórica. De acordo com levantamento do Sebrae, baseado em dados da PNAD Contínua, o número de mulheres donas de negócio passou de 8,2 milhões em 2015 para 10,4 milhões em 2025.
O avanço foi superior ao crescimento observado entre os homens, que registraram aumento de aproximadamente 11% no mesmo período.
Mulheres ganham protagonismo nos negócios
O crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil reforça o papel das mulheres no desenvolvimento econômico do país. Atualmente, elas representam uma parcela significativa dos empreendedores, com presença crescente em diversos setores.
Apesar disso, ainda existe desigualdade: enquanto as mulheres correspondem a 51,8% da população em idade ativa, elas representam apenas 34,3% dos donos de negócios.
Aumento da escolaridade impulsiona crescimento
Um dos fatores que contribuem para o avanço do empreendedorismo feminino no Brasil é o aumento do nível de escolaridade das mulheres.
Entre 2012 e 2025:
- Houve aumento de 18,6 pontos percentuais na faixa com ensino superior
- Redução de 17,3 pontos percentuais entre mulheres com baixa escolaridade
Atualmente, há mais mulheres com ensino superior do que homens empreendedores, o que impacta diretamente na gestão e no crescimento dos negócios.
Rendimento das empreendedoras cresce
Outro destaque do empreendedorismo feminino no Brasil é o aumento do rendimento médio das mulheres.
Em 2025, as empreendedoras alcançaram um rendimento médio de R$ 2.929,94, o maior já registrado. Apesar do avanço, ainda há diferença em relação aos homens, cuja média é de R$ 3.864,12.
A desigualdade salarial caiu ao longo dos anos, com redução de 9,5 pontos percentuais na diferença de rendimentos.
Acesso a crédito e políticas de incentivo
O fortalecimento do empreendedorismo feminino no Brasil também está relacionado a políticas públicas e programas de incentivo.
Um exemplo é o Fampe Mulher, fundo garantidor do Sebrae voltado para negócios liderados por mulheres. Em 2025, o programa possibilitou o acesso a R$ 734 milhões em crédito para empreendedoras.
Essas iniciativas são fundamentais para ampliar o acesso a financiamento e estimular novos negócios.
Formalização e contribuição previdenciária
As mulheres também se destacam na formalização de negócios. Dados mostram que:
- 37% das empreendedoras possuem CNPJ
- Entre os homens, esse índice é cerca de 4 pontos percentuais menor
Além disso, 43% das mulheres contribuem para a previdência, contra 39% dos homens, indicando maior preocupação com segurança financeira.
Perfil das empreendedoras brasileiras
O perfil do empreendedorismo feminino no Brasil revela que mais da metade das mulheres empreendedoras está na faixa etária de 30 a 49 anos (51,3%).
Essa fase representa o período de maior produtividade e maturidade profissional, o que contribui para o crescimento dos negócios liderados por mulheres.
Desafios ainda persistem
Apesar dos avanços, o empreendedorismo feminino no Brasil ainda enfrenta desafios importantes:
- Diferença de renda em relação aos homens
- Menor taxa de empreendedorismo (11,5% contra 23,6% dos homens)
- Acesso desigual a oportunidades
Superar essas barreiras é essencial para garantir maior equidade no ambiente de negócios.
Perspectivas para o futuro
O cenário indica que o empreendedorismo feminino no Brasil continuará crescendo nos próximos anos, impulsionado por maior acesso à educação, crédito e políticas públicas.
Com isso, as mulheres tendem a ocupar um papel ainda mais relevante na economia, contribuindo para geração de renda, inovação e desenvolvimento social.
Fonte: SEBRAE/ Nacional