Rodrigo Soares destaca formalização, crédito, inovação e simplificação como desafios para pequenos negócios no Brasil
O empreendedorismo brasileiro precisa estar associado à geração de renda, qualidade de vida e oportunidades para quem decide abrir ou administrar um negócio. A avaliação é do presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, que defende a simplificação do ambiente econômico e maior acesso dos pequenos negócios a crédito, tecnologia e informação.
Em entrevista à Agência Sebrae de Notícias, Soares também analisou os 20 anos da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e os principais desafios enfrentados pelos empreendedores brasileiros.
Para o presidente do Sebrae, a atuação do Estado na organização do ambiente econômico deve proporcionar previsibilidade e condições para que as empresas possam crescer.
“O empreendedorismo só tem sentido se gerar rentabilidade, qualidade de vida e renda digna para as pessoas”, afirmou.
Lei Geral completa 20 anos
A Lei Complementar nº 123/2006, conhecida como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, completa 20 anos em 2026. A legislação estabeleceu tratamento diferenciado para os pequenos negócios e contribuiu para mudanças no ambiente de negócios brasileiro.
Entre os desdobramentos da legislação estão o Simples Nacional e, posteriormente, a criação da figura do Microempreendedor Individual (MEI).
Rodrigo Soares participou das discussões sobre a legislação quando exercia mandato de deputado federal pela Paraíba. Segundo ele, o processo envolveu audiências públicas e debates parlamentares sobre simplificação, organização econômica e proteção de direitos.
Ao avaliar as duas décadas da legislação, o presidente do Sebrae destaca o crescimento do número de pequenos negócios formalizados no país.
Segundo dados apresentados por ele, o Brasil passou de aproximadamente 2,5 milhões de pequenos negócios formalizados naquele período para cerca de 25 milhões atualmente.
Formalização pode ampliar oportunidades
Na avaliação de Rodrigo Soares, a formalização não deve ser vista apenas como uma exigência burocrática, mas também como uma possibilidade de acesso a novos mercados.
Ele cita, por exemplo, empresas de maior porte e órgãos públicos que exigem documentação fiscal para a contratação de fornecedores.
O presidente do Sebrae também afirma que, segundo dados da instituição, empreendedores formalizados podem alcançar rendimentos superiores aos de trabalhadores que permanecem na informalidade.
Outro mercado citado é o das compras governamentais, que, segundo Soares, movimenta aproximadamente R$ 1 trilhão por ano.
Nesse cenário, a formalização pode permitir que micro e pequenas empresas participem de oportunidades que exigem emissão de nota fiscal e regularidade empresarial.
Crédito continua entre os principais desafios
Apesar dos avanços no ambiente de negócios, o acesso ao crédito permanece como um dos principais obstáculos para os pequenos empreendedores.
Segundo números apresentados por Soares, em 2023, cerca de 78% das micro e pequenas empresas não conseguiram acessar crédito no país. Ele afirma que a proporção diminuiu nos anos seguintes, mas ainda estaria entre 60% e 70%.
Na avaliação do presidente do Sebrae, o custo do dinheiro é um fator importante nesse cenário.
“Eu diria que a taxa de juros hoje é o maior desafio e faz com que o dinheiro fique muito caro no Brasil”, afirmou.
Para os pequenos negócios, o acesso a financiamento pode ser utilizado tanto para capital de giro quanto para investimentos em equipamentos, tecnologia, expansão e melhoria da gestão.
Estado tem papel na criação de um ambiente previsível
Rodrigo Soares defende que o Estado tenha participação na construção de um ambiente econômico com regras mais simples e previsíveis.
Segundo ele, a regulação pode facilitar o acesso dos empreendedores a crédito, tecnologia e informação.
Outro indicador citado na entrevista é o tempo necessário para abrir uma empresa. De acordo com Soares, o prazo médio teria passado de aproximadamente quatro dias, em 2019, para cerca de 23 horas atualmente.
O Sebrae tem defendido a simplificação e a desburocratização como instrumentos para melhorar as condições de funcionamento das micro e pequenas empresas. A entidade também atua junto a governos locais em iniciativas relacionadas ao ambiente de negócios.
Tecnologia amplia possibilidades
A inovação e as novas tecnologias também aparecem entre os fatores que podem transformar o empreendedorismo.
Soares afirma que a expansão do acesso à formação superior, técnica e profissionalizante permite que pessoas de diferentes regiões desenvolvam competências e criem novos negócios.
Nesse contexto, as startups são citadas como um exemplo de empresas que surgiram associadas à inovação e ao desenvolvimento tecnológico.
O Sebrae, segundo o presidente, busca apoiar empreendedores no desenvolvimento de ideias e negócios também fora dos grandes centros econômicos.
Perspectivas para os próximos 20 anos
Ao projetar o futuro, Rodrigo Soares afirma esperar maior participação dos pequenos negócios no desenvolvimento econômico brasileiro.
Entre as perspectivas mencionadas estão o fortalecimento da indústria, o aproveitamento sustentável dos recursos naturais dos seis biomas brasileiros e a criação de produtos e serviços com maior valor agregado.
Ele também defende a ampliação das oportunidades de educação e qualificação para que os empreendedores possam aprimorar a gestão de suas empresas.
A expansão internacional de experiências brasileiras também é apontada pelo presidente do Sebrae. Segundo ele, em setembro de 2026, representantes levaram a legislação brasileira sobre pequenos negócios a Moçambique, país que anunciou a criação de uma modalidade de microempreendedor inspirada na experiência brasileira.
Empreendedorismo como instrumento de desenvolvimento
Na avaliação de Rodrigo Soares, os últimos 20 anos demonstraram a importância das políticas voltadas aos pequenos negócios.
O presidente do Sebrae afirma que sua experiência ao longo desse período, incluindo viagens pelos 27 estados brasileiros, permitiu acompanhar diferentes histórias de empreendedores e observar os efeitos da formalização e das políticas de apoio aos pequenos negócios.
Para ele, o desafio dos próximos anos será ampliar as condições para que esses empreendedores tenham acesso a conhecimento, crédito, tecnologia e mercados.
A perspectiva apresentada pelo Sebrae combina, portanto, formalização, inovação, simplificação e acesso a crédito como elementos centrais para o desenvolvimento dos pequenos negócios no Brasil.
Com informações da Agência Sebrae de Notícias.