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Boa Vista - RR, 4 de novembro de 2026 as 01:43

Dólar fecha a R$ 5,44 e registra maior alta semanal desde 2008

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O dólar encerrou a sexta-feira (30) cotado a R$ 5,4443

Após registrar alta de 1,05% no dia. A moeda norte-americana chegou a atingir R$ 5,4621 durante a tarde, acompanhando a queda das bolsas de valores em Nova York e o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais.

Com o resultado, a divisa alcançou o maior valor de fechamento desde 30 de dezembro de 2025, quando terminou o pregão a R$ 5,4890.

O desempenho também marcou uma semana de forte valorização. Entre os dias 26 e 30 de outubro, o dólar acumulou alta de 9,04%, registrando a maior valorização semanal desde outubro de 2008, período marcado pela crise financeira internacional.

Em outubro, a moeda acumulou avanço de 5,20%. No resultado anual, passou a apresentar valorização de 0,81%.

Incertezas fiscais pressionam o real

A alta do dólar foi influenciada por fatores externos e internos. No cenário internacional, a queda das ações de tecnologia nos Estados Unidos, as preocupações com a inflação e as perspectivas de juros mais elevados em economias desenvolvidas aumentaram a cautela dos investidores.

No Brasil, as incertezas sobre a condução da política fiscal a partir de 2027 também contribuíram para a pressão sobre o real.

Ricardo Chiumento, chefe da Tesouraria do BS2, avalia que parte da valorização do dólar está relacionada ao reposicionamento dos investidores após o resultado eleitoral. Segundo ele, muitos agentes do mercado estavam preparados para uma vitória da oposição e esperavam mudanças mais expressivas na política fiscal.

O executivo também apontou que a falta de definições sobre medidas de controle das contas públicas e sobre o futuro comando do Ministério da Fazenda mantém os investidores cautelosos.

Expectativas para o Ministério da Fazenda

A possibilidade de o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, assumir o Ministério da Fazenda também entrou no radar do mercado financeiro.

A notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia viajar ao estado para convidá-lo ao cargo foi apontada por operadores como um dos fatores que contribuíram para reduzir o ritmo de alta do dólar no pregão anterior.

Entretanto, Fonteles afirmou, em publicação na rede social X, que não conversou com Lula sobre cargos e que não havia visita do presidente ao Piauí agendada.

Para Ricardo Chiumento, a falta de clareza sobre os próximos passos da política econômica pode aumentar a pressão sobre o câmbio e o mercado de ações.

Mercado acompanha decisão sobre a taxa Selic

A política monetária brasileira também está no centro das atenções dos investidores. O Comitê de Política Monetária (Copom) tem reunião prevista para a quarta-feira (4), quando deverá decidir sobre a taxa básica de juros da economia.

Na avaliação de Chiumento, diante das incertezas econômicas, existe a expectativa de manutenção da Selic em 13,75%.

A estrategista sênior de câmbio do banco ABN Amro, Georgette Boele, também destacou que o governo brasileiro precisa apresentar sinais de compromisso com o equilíbrio das contas públicas para recuperar a confiança dos investidores.

Apesar da forte valorização recente do dólar, Boele avalia que o movimento pode ter sido exagerado e que o real poderá recuperar parte das perdas. Ela também considera fatores como os juros reais brasileiros e a atuação do Banco Central no combate à inflação.

O comportamento do câmbio nos próximos dias dependerá, entre outros fatores, das sinalizações do governo sobre a política fiscal, das condições econômicas internacionais e das decisões sobre os juros no Brasil.

Fonte: Jovem pan