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Boa Vista - RR, 30 de junho de 2026 as 03:41

Daniel Vorcaro: advogados apelam ao STJ após negativa da Justiça

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Defesa de Daniel Vorcaro recorre ao STJ após Justiça manter prisão preventiva

A defesa do empresário Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a prisão preventiva do executivo. Na semana passada, a Justiça Federal já havia decidido manter a detenção.

Antes do STJ, os advogados de Vorcaro solicitaram liberdade ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), argumentando que o suposto risco de continuidade dos crimes teria sido eliminado após o Banco Central determinar o encerramento das atividades do Banco Master. Porém, a desembargadora Solange Salgado negou o pedido, afirmando que a desarticulação da organização criminosa depende do isolamento do empresário, apontado como liderança do esquema.

Na decisão, a magistrada ressaltou que a gravidade dos crimes investigados, a estrutura da organização e o risco à ordem pública e econômica demonstram que medidas alternativas  como monitoramento eletrônico ou recolhimento domiciliar  seriam insuficientes para conter a atuação do grupo.

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na última segunda-feira, quando embarcava para a Europa em um avião particular. De acordo com as investigações, o Banco Master teria simulado a compra de ativos inexistentes e, posteriormente, vendido esses créditos ao Banco de Brasília (BRB), que pagou R$ 12,2 bilhões sem documentação. Segundo a PF, diretores do BRB atuaram em conluio com Vorcaro para socorrer o caixa do Master.

O Banco Central e o mercado financeiro já monitoravam os riscos dessas operações desde 2023. Mesmo assim, outras instituições públicas também negociaram com o empresário. Entre abril e junho do ano passado, o Banco da Amazônia (BASA) comprou R$ 40 milhões em letras financeiras do Master. No início de 2023, a Caixa Econômica Federal também cogitou adquirir R$ 500 milhões em títulos, mas a operação foi interrompida após parecer técnico alertar para a alta atipicidade e risco. O caso chegou ao Tribunal de Contas da União, que em novembro multou o ex-diretor da Caixa Igor Laino por tentar avançar com o negócio mesmo diante das advertências.

A Polícia Federal investiga ainda se dirigentes do Banco Master utilizaram relações com políticos em Brasília para facilitar transações com instituições públicas.

Redação