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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 13:12

Crise climática é maior emergência de saúde do século

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Ondas de calor, poluição e doenças pressionam sistemas de saúde e afetam bilhões de pessoas, transformando o clima em um risco sanitário global.

A crise climática e saúde já não podem ser tratadas como temas separados. O aquecimento global deixou de ser um risco futuro para se tornar uma ameaça concreta e diária à vida humana. Ondas de calor mais intensas, poluição do ar persistente, insegurança alimentar e o avanço de doenças infecciosas estão impactando diretamente a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo, sobrecarregando sistemas de saúde que, em muitos países, já operam no limite.

O calor extremo é hoje um dos fatores mais subestimados dessa emergência. Ele não aparece como uma catástrofe repentina, mas se infiltra silenciosamente no cotidiano, aumentando casos de desidratação, problemas cardiovasculares, doenças respiratórias e agravando quadros crônicos. Hospitais enfrentam prontos-socorros lotados, falta de leitos e escassez de profissionais, especialmente durante períodos prolongados de altas temperaturas.

queimadas, incêndios florestais

Os incêndios florestais representam um risco extremo para a saúde humana. Em 2023, o fogo consumiu uma área equivalente ao dobro do tamanho do México.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 3,5 bilhões de pessoas vivem em regiões altamente vulneráveis às mudanças climáticas. Eventos extremos como ondas de calor, secas, incêndios florestais, enchentes e tempestades já provocam centenas de milhares de mortes todos os anos. Relatórios científicos apontam que o número de dias com calor perigoso aumentou mais de 50% nas últimas décadas, e a mortalidade associada a essas condições atingiu níveis recordes recentemente.

Outro fator crítico é a poluição do ar. As partículas finas, conhecidas como PM2,5, causam milhões de mortes prematuras por ano e são agravadas por queimadas e incêndios florestais cada vez mais frequentes. Além disso, a crise climática favorece a expansão de doenças transmitidas por vetores, como dengue, zika e chikungunya, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, ampliando os desafios da crise climática e saúde pública.

Os sistemas de saúde enfrentam não apenas danos físicos  como hospitais inundados ou apagões elétricos , mas também uma crise humana, marcada por esgotamento profissional, falta de recursos e dificuldade de resposta rápida em situações extremas. Em áreas pobres, rurais ou periféricas, esses impactos são ainda mais severos, aprofundando desigualdades já existentes.

Garantir cobertura universal de saúde, diante desse cenário, exige mais do que acesso a serviços médicos. É necessário investir em resiliência climática: infraestrutura hospitalar adaptada, planos de emergência, vigilância epidemiológica fortalecida e políticas públicas que integrem clima e saúde. A crise climática não reconhece fronteiras, e proteger a saúde humana tornou-se uma das tarefas mais urgentes do século.

Referencia: https://www.tempo.com/