Ministro da Justiça diz à CPI que facções se infiltram na economia e no poder, defendendo integração das polícias e mais investimentos no setor.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira (9) que o crime organizado deixou de ser um problema localizado e físico para se tornar um fenômeno global, digital e estrutural. A declaração ocorreu durante a CPI do Crime Organizado, onde o ministro destacou que as organizações criminosas atualmente operam em diversas frentes, infiltram-se na economia formal e buscam influenciar instituições públicas e privadas.
Lewandowski ressaltou que o cenário atual é muito mais complexo do que o enfrentado pelo país nos anos 1990, quando crimes predominantes incluíam estelionato, roubo e delitos econômicos tradicionais. Segundo ele, a criminalidade organizada assumiu um nível de sofisticação comparável a desafios globais como o aquecimento climático e a corrida nuclear. Facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho surgidos no Brasil, mas hoje atuantes internacionalmente — representam parte dessa expansão.
O ministro afirmou que o principal obstáculo ao combate nacional às facções é a insuficiência de recursos. Embora o Fundo Nacional da Segurança Pública tenha recebido incremento orçamentário, Lewandowski considera que os valores ainda são insuficientes diante da dimensão do problema. Ele defendeu a aprovação da PEC 18/2025, que pretende integrar as polícias e consolidar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), garantindo compartilhamento obrigatório de informações entre os órgãos, em modelo semelhante ao do SUS.
Durante a audiência, Lewandowski alertou para a infiltração do crime organizado em setores econômicos, como combustíveis, coleta de lixo, construção civil e serviços digitais. Ele também destacou esforços da Polícia Federal em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral para impedir que facções influenciassem as eleições municipais.
Parlamentares presentes abordaram ainda a participação de jovens no tráfico, a necessidade de novas sanções, a possibilidade de intervenção federal em estados com índices alarmantes de violência e a criação de um novo fundo específico para combater facções, abastecido por tributos sobre empresas de apostas on-line.
A CPI aprovou também a convocação do deputado Rodrigo Bacellar, investigado por vazamento de informações sigilosas, e deve ouvir, ainda, o ministro da Defesa e o diretor-geral da Abin.
Fonte: Agência Senado