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Boa Vista - RR, 6 de fevereiro de 2026 as 18:26

CONSCIENTIZAÇÃO DIGITAL
Lei estadual fortalece debate sobre internet segura nas escolas de Roraima

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O acesso cada vez mais cedo à internet tem ampliado as oportunidades de aprendizado e comunicação entre crianças e adolescentes, mas também expõe esse público a uma série de riscos no ambiente virtual. Aliciamento on-line, cyberbullying, golpes, vazamento de dados pessoais e o contato com desconhecidos estão entre as situações que exigem atenção redobrada das famílias, escolas e da sociedade, reforçando a necessidade de conscientização sobre o uso seguro das tecnologias digitais.

Em Roraima, esse debate ganhou um importante reforço com a criação do Dia Estadual da Internet Segura nas Escolas, celebrado em 6 de fevereiro, conforme estabelece a Lei nº 1.868/2023. A iniciativa busca incentivar ações educativas nas unidades de ensino, promovendo orientação a alunos, pais e profissionais da educação sobre a prevenção de crimes virtuais e a construção de um ambiente digital mais seguro.

O uso de jogos on-line e redes sociais tem ampliado os riscos, principalmente quando não há acompanhamento adequado por parte de adultos. De acordo com a psicopedagoga Cleia Ferreira, que trabalha no Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (PDHC) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), foi a partir dessa realidade que surgiu a necessidade de levar o debate sobre o ambiente virtual para dentro das escolas.

Psicopedagoga Cleia Ferreira alerta pais sobre a supervisão e proteção de adultos no meio digital

“Nós vimos a necessidade de trabalhar os jogos on-line e as redes sociais, que são porta de entrada para aliciamento de crianças e adolescentes, para o tráfico de pessoas e para a exploração infantil”, afirmou.

Durante o acompanhamento realizado nas unidades escolares, a especialista também orienta alunos e professores sobre como identificar comportamentos suspeitos. Cleia explica que muitos aliciadores se passam por crianças ou adolescentes para ganhar a confiança das vítimas. “Dentro dos jogos tem como você mudar o tom de voz, mudar a conotação da voz”, alertou.

A psicopedagoga destaca ainda que a prevenção está diretamente relacionada ao envolvimento das famílias. Para ela, o acompanhamento do uso do celular e da internet não deve ser visto como invasão de privacidade, mas como uma forma de proteção.

“Criança e adolescente não têm privacidade. Se você deu um celular para o seu filho, você tem que saber o que ele está fazendo com aquele celular”, enfatizou.

Escola alia regras e orientação para promover uso seguro da internet

Em Boa Vista, o Colégio Adventista atende há mais de 25 anos alunos da educação infantil ao ensino médio. Ao longo desse período, a instituição foi se adaptando às normas educacionais, incluindo a restrição do uso de aparelhos eletrônicos dentro da escola.

O diretor Sandro Oliveira afirmou que seguir a lei facilita o processo de aprendizado e não impede que a orientação sobre o uso consciente da internet seja compartilhada com os estudantes. Segundo ele, palestras e ações educativas são realizadas com o objetivo de incentivar o uso positivo e seguro da internet, além de alertar sobre os perigos do ambiente virtual.

Um dos crimes cometidos no mundo virtual é o cyberbullying e, segundo o diretor, dentre as palestras de conscientização está a orientação aos alunos sobre essa prática.

Sandro Oliveira, diretor do Colégio Adventista, fala da importância de ações e orientações no ambiente escolar

“Nosso objetivo é fazer o aluno perceber que o cyberbullying não é uma brincadeira, é um crime. Nós trabalhamos com diversas ações, conscientizando os nossos alunos para que isso não seja algo presente no ambiente escolar e também fora do ambiente”, reforçou.

A participação da família é fundamental

Sandro Oliveira destaca que o trabalho desenvolvido pela escola precisa estar alinhado às orientações repassadas em casa e que os pais devem acompanhar e controlar o uso de aparelhos eletrônicos pelos filhos.

“É importante que a família, cada pai e cada responsável tenha essa preocupação de ver o que seu filho está acessando, se de fato é algo que vai contribuir para o crescimento dele ou se vai prejudicar. Então, quando a família e a escola fazem esse trabalho, quem ganha no final são os alunos”, ressaltou o diretor.

A orientação dentro de casa, aliada ao diálogo constante, é apontada como um dos principais caminhos para reduzir riscos na internet, como explica o especialista em segurança de rede, Carlos Rossini.

Especialista em segurança de Rede, Carlos Rossini, explica como os pais devem conversar com os filhos sobre os perigos on-line

“A principal ferramenta para os pais que querem manter seus filhos no mundo digital é o diálogo, orientar de que forma que devem acessar internet, para quê, com que finalidade, saber que existem pessoas mal-intencionadas que podem prejudicar ou fazer mal para essas crianças”, orientou.

O especialista também ressalta que a proteção não depende apenas de recursos tecnológicos, mas do envolvimento da família na rotina das crianças, inclusive fora das telas.

“Promover atividades fora do mundo virtual, promover atividades em que a criança tenha um ambiente saudável para poder correr e para poder ser criança de verdade. Isso faz com que ela se sinta mais segura”, acrescentou.

Para Francisco Auzier, pai de uma adolescente que está ingressando no ensino médio, o diálogo constante é uma das principais formas de proteção no ambiente digital. Ele explica que as conversas em casa buscam orientar sobre os riscos, especialmente em uma fase da vida marcada por maior exposição e vulnerabilidade.

Pai orienta a filha sobre os riscos do compartilhamento de informações pessoais na internet

“Eu tenho conversado com a minha filha sobre os riscos da internet de forma aberta e procuro ser o mais honesto possível, explicando os perigos do cyberbullying, do compartilhamento de informações pessoais e da exposição, desse excesso de exposição que nós temos hoje”, contou.

O pai também chama atenção para hábitos aparentemente simples, mas que podem comprometer a segurança, como divulgar rotinas diárias nas redes sociais. Para ele, esse tipo de comportamento precisa ser debatido desde cedo, reforçando a importância da privacidade on-line.

“Nós procuramos criar um ambiente seguro e de confiança para que ela possa se sentir à vontade para dirimir qualquer dúvida que ela tenha”, assegurou.

Ele também faz um alerta sobre golpes virtuais que, muitas vezes, envolvem pessoas se passando por conhecidos. “Nunca, em hipótese alguma, compartilhar dados pessoais pela internet, mesmo com conhecidos”, alertou.

O crime não fica só on-line

De acordo com o delegado Eduardo Patrício, da Delegacia de Crimes Cibernéticos em Roraima, apesar de a internet fazer parte da rotina da maioria das pessoas, ainda há uma grande deficiência no conhecimento sobre segurança digital. Ele explica que o acesso facilitado aos smartphones inseriu a população no ambiente virtual, muitas vezes sem o preparo mínimo para reconhecer riscos ou adotar medidas básicas de proteção, o que acaba facilitando a ação de criminosos.

Delegado Eduardo Patrício reforça a importância de pesquisar e conhecer mais sobre segurança digital

“As pessoas se inseriram num ambiente cibernético sem ter o conhecimento para se defender nesse campo. Ou seja, não aprenderam a utilizar um antivírus, uma ativação para verificação em duas etapas nas suas aplicações, uma exclusão de senhas fortes”, detalhou.

O delegado destacou ainda que a maior parte dos crimes praticados no ambiente virtual ocorre por meio da chamada engenharia social, técnica que se baseia na manipulação psicológica das vítimas. No caso de crianças e adolescentes, essa vulnerabilidade pode ser ainda maior, especialmente quando não há orientação familiar ou escolar sobre como identificar abordagens suspeitas e situações de risco no ambiente digital.

“O conhecimento da engenharia social, que é o conhecimento da manipulação psicológica feita pelo golpista para induzir a pessoa a fazer o que ele quer, pode diminuir em quase 90% os casos de estelionato”, pontuou.

Onde buscar ajuda

 

  • Delegacia Especial de Repressão à Crimes Cibernéticos (DERCC)
  • Rua General Penha Brasil, 730, bairro São Francisco – Boa Vista/RR
  • Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA)
  • Avenida Nazaré Filgueiras, nº 1991, bairro Pintolândia – Boa Vista/RR
  • Denúncias por telefone: 197
  • Outros meios estão disponíveis no site:https://diskdenuncia.policiacivil.rr.gov.br/

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Texto: Monica Gizele

Fotos: Nonato Sousa e Jader Souza

SupCom ALERR


Fonte e imagens: ALE-RR POR SUPERVISÃO DE COMUNICAÇÃO– Leia a matéria completa aqui