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Boa Vista - RR, 23 de junho de 2026 as 16:52

Colapso da AMOC pode causar megassecas na Europa

Foto de JORGE GUERRERO

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Estudos mostram que o colapso da corrente AMOC pode prolongar secas por séculos, alterando drasticamente a umidade e as estações do continente europeu.

A possibilidade de colapso da AMOC,  Circulação Meridional de Viramento do Atlântico, voltou ao centro do debate científico após um novo estudo mostrar que a Europa pode enfrentar megassecas que durariam séculos. Essa corrente oceânica é responsável por transportar calor e umidade pelo Atlântico, influenciando diretamente o clima em diversos continentes. Seu enfraquecimento já é monitorado há décadas, mas os novos resultados sugerem consequências ainda mais severas do que se pensava.

Segundo a pesquisa, publicada por cientistas da Universidade de Utrecht, o colapso da AMOC pode transformar radicalmente o clima europeu, especialmente no sul do continente. A região, que já enfrenta ondas de calor e estiagens prolongadas, pode sofrer secas muito mais intensas durante centenas ou até milhares de anos. Países como Espanha, Portugal e Itália teriam suas estações secas ampliadas consideravelmente.

O estudo é o primeiro a avaliar como diferentes cenários climáticos afetariam a precipitação de verão caso a AMOC realmente colapse. Para isso, os pesquisadores rodaram oito simulações que cobriram mais de 1.000 anos. Parte desses cenários utilizou condições pré-industriais e outras modelaram níveis atuais e futuros de emissões de carbono.

Nos cenários considerados mais realistas  aqueles em que as emissões atingem o pico em meados do século e começam a cair (RCP4.5)  a Europa já enfrentaria secas mais intensas por causa do aquecimento global. No entanto, quando o colapso da AMOC é somado a esse aquecimento, a seca se torna significativamente mais severa. A intensidade da estação seca aumentaria cerca de 28%, comparada aos 8% observados sem o colapso.

Infográfico mostrando os efeitos e o funcionamento da Circulação Meridional de Viramento do Atlântico (AMOC), que faz parte do sistema global de correntes oceânicas.

Os impactos variam entre regiões. No norte da Europa, como a Suécia, a estação seca pode crescer até 72% com o colapso da AMOC. Já no sul, onde os efeitos seriam mais drásticos, a Espanha pode enfrentar aumento de até 60% na duração da estação seca. Esses números representam mudanças profundas no regime de umidade e na agricultura, afetando ecossistemas, abastecimento de água e economia.

Embora alguns cientistas alertem que o cenário de colapso usado no estudo envolve volumes de água doce considerados irreais  resultantes do derretimento massivo de gelo  outros especialistas destacam que a mensagem principal não pode ser ignorada: a AMOC está enfraquecendo, e sua interrupção pode desencadear consequências que durariam mil anos.

O oceanógrafo Stefan Rahmstorf lembra que as estiagens já são um problema crescente com o aquecimento global, e o colapso da AMOC amplificaria ainda mais esse risco. Para ele, os resultados servem como um alerta para decisões urgentes em escala global.

Redação

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