Entidade responde a declaração de Flávio Bolsonaro e afirma não integrar estruturas partidárias ou de candidaturas
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) negou, neste domingo (27), ter participado da produção ou divulgação de informações falsas relacionadas às eleições de 2026. A manifestação ocorreu após o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmar que pessoas ligadas à entidade teriam ajudado a disseminar uma informação sobre uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Em nota publicada pela própria entidade, a CNBB afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.
A conferência também declarou que não integra estruturas político-partidárias, partidos ou candidaturas e que suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência.
O que afirmou Flávio Bolsonaro
Durante um evento de campanha em Goiânia (GO), Flávio Bolsonaro afirmou que o PT estaria por trás da circulação da informação sobre Nossa Senhora Aparecida e disse ter tomado conhecimento de uma suposta participação de pessoas ligadas à CNBB.
A declaração foi feita no contexto da disputa eleitoral e da repercussão de conteúdos publicados nas redes sociais sobre a posição do candidato em relação ao título de Padroeira do Brasil.
A afirmação sobre a participação de integrantes da CNBB foi negada pela própria instituição. Até a publicação desta reportagem, não foram apresentados publicamente, nas fontes consultadas, elementos que comprovem a acusação.
CNBB nega participação em fake news
Na nota de esclarecimento, a CNBB afirmou que repudia a produção e utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possa ser beneficiado ou prejudicado.
A entidade também contestou a atribuição de participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação sem fatos e provas que sustentem a acusação.
Segundo a conferência, esse tipo de atribuição atinge a instituição e não contribui para o debate eleitoral.
Ao final da manifestação, a CNBB reafirmou o compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.
Entenda a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida
A polêmica envolve publicações nas redes sociais que associaram Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A campanha do candidato nega essa intenção.
A discussão também chegou à Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia determinado a retirada de uma publicação do humorista Antonio Tabet que fazia referência ao assunto, além de conteúdos semelhantes.
No domingo (27), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o restabelecimento da publicação de Tabet. A decisão também alcançou outros conteúdos que haviam sido retirados com base no mesmo fundamento.
Dino entendeu que não havia, naquele momento, grau suficiente de certeza sobre a ilicitude da publicação que justificasse a retirada imediata do conteúdo. A decisão mencionou a liberdade de expressão e a liberdade religiosa.
Projeto sobre o título de Padroeira do Brasil
A controvérsia nas redes sociais também foi relacionada a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que tratava do título concedido a Nossa Senhora Aparecida.
O projeto foi arquivado em 2008 e, segundo as informações divulgadas sobre o caso, não foi apresentado por Flávio Bolsonaro.
A circulação da narrativa nas redes sociais levou a campanha do candidato a recorrer à Justiça Eleitoral para contestar os conteúdos.
Disputa chegou à Justiça
A controvérsia passou a envolver diferentes medidas judiciais relacionadas às publicações nas redes sociais.
A decisão de André Mendonça determinou a remoção de conteúdos que associavam Flávio Bolsonaro à suposta retirada do título de Padroeira do Brasil. Posteriormente, Flávio Dino cassou essa determinação em relação ao caso analisado e determinou o restabelecimento das publicações.
A decisão de Dino não estabeleceu, por si só, uma conclusão sobre a autoria ou origem da informação que circulou nas redes sociais. O ponto central analisado pelo ministro foi a existência de elementos suficientes para justificar a retirada dos conteúdos naquele momento processual.
CNBB afirma que não integra candidaturas
Na nota divulgada em 27 de setembro, a CNBB reforçou que sua atuação durante o processo eleitoral está vinculada à sua missão institucional e pastoral.
A entidade afirmou que suas manifestações são orientadas por princípios públicos relacionados à dignidade humana, ao bem comum, à democracia e à liberdade de consciência.
A CNBB também destacou que não integra partidos políticos ou candidaturas.
O episódio ocorre durante as Eleições 2026, nas quais Flávio Bolsonaro teve seu registro de candidatura à Presidência aprovado pelo TSE em setembro, junto com Alfredo Gaspar.
A controvérsia permanece no campo político, religioso e judicial, com versões distintas apresentadas pelas partes. A CNBB nega participação na disseminação da informação, enquanto a acusação feita por Flávio Bolsonaro não foi acompanhada, nas fontes consultadas, de provas públicas que demonstrem o envolvimento da entidade.
Com informações da Jovem Pan, CNBB e Agência Brasil.