Investigação da PF aponta conexões do senador e de aliados com operador central do esquema que desviou recursos previdenciários
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) entrou novamente no centro das atenções após ser alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), durante nova fase da Operação Sem Desconto. A ação integra as apurações sobre a chamada Farra do INSS, esquema criminoso revelado por reportagens investigativas que apontam o desvio sistemático de recursos da Previdência Social.
De acordo com a investigação, a Polícia Federal cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão. Nos últimos meses, vieram à tona uma série de elementos que ligam o senador e pessoas próximas a ele a Antonio Carlos Camilo Antunes, apontado como um dos principais operadores do esquema.
O primeiro ponto revelado envolve o compartilhamento de uma aeronave. Weverton utilizou um jatinho um Beech Aircraft F90 que também foi usado pelo lobista investigado. A aeronave pertence a um advogado que atua na defesa de Antunes no Supremo Tribunal Federal, e registros indicam que ambos realizaram viagens semelhantes ao longo de 2024, principalmente entre Brasília, São Paulo e São Luís.
Outro aspecto que chamou atenção dos investigadores foi a aquisição de uma fazenda avaliada em cerca de R$ 15 milhões no interior do Maranhão. O valor supera em mais de três vezes o patrimônio declarado pelo senador nas eleições de 2022. O imóvel foi comprado por meio de uma empresa familiar administrada por um contador que também cuidava das empresas ligadas ao lobista investigado.
A investigação também alcança o entorno político do senador. Um ex-assessor de confiança teria concedido poderes financeiros a um homem apontado pela PF como responsável pelo transporte de propinas dentro do esquema. Esse mesmo ex-assessor aparece em registros oficiais participando de reuniões não divulgadas com integrantes do Ministério da Previdência, ao lado do operador central da Farra do INSS.
Outro indício relevante envolve um veículo registrado em nome desse ex-assessor, mas que estava em posse do lobista investigado. O carro chegou a ser colocado à venda por ordem do próprio operador do esquema, segundo documentos obtidos pela investigação.
Embora o senador Weverton negue irregularidades, os elementos reunidos pela Polícia Federal reforçam a suspeita de uma rede de relações políticas, empresariais e financeiras que pode ter facilitado o funcionamento do esquema bilionário de desvios no INSS. As investigações seguem em andamento, e os fatos apurados devem ser analisados pelo Judiciário nos próximos meses.
Fonte: Metropoles