Plantando informação de qualidade.

Boa Vista - RR, 9 de maio de 2026 as 15:08

China supera Brasil e lidera produção mundial de tambaqui

Compartilhe:

Planejamento industrial chinês transforma peixe amazônico em commodity global, enquanto Brasil mantém liderança científica e genética da espécie

O tambaqui (Colossoma macropomum), peixe nativo da bacia amazônica e símbolo da piscicultura brasileira, deixou de ser um produto predominantemente regional para assumir papel de destaque no mercado global de aquicultura. Dados recentes indicam que a China ultrapassou o Brasil e se tornou a maior produtora mundial de tambaqui, tanto em volume quanto em capacidade de exportação, consolidando a espécie como uma nova commodity da proteína aquática internacional.

Durante décadas, o Brasil foi referência absoluta na criação do tambaqui. O peixe sempre esteve profundamente ligado à cultura alimentar da região Norte, sendo cultivado em viveiros escavados e comercializado principalmente em mercados locais. No entanto, esse cenário começou a se modificar com a expansão da aquicultura industrial em escala global, especialmente no continente asiático.

A mudança de protagonismo está diretamente associada ao planejamento estratégico chinês, que incorporou o tambaqui a um modelo produtivo intensivo, voltado para o abastecimento interno e para o comércio exterior. Com investimentos robustos em tecnologia, logística integrada e processamento industrial, a China conseguiu ampliar rapidamente sua capacidade produtiva, superando o Brasil em volume absoluto.

Entre os fatores que impulsionaram essa expansão estão as características biológicas do tambaqui. A espécie apresenta crescimento acelerado, alta rusticidade, boa conversão alimentar e tolerância a variações ambientais. Além disso, adapta-se bem a sistemas de cultivo intensivo e possui carne branca, de sabor suave, com elevada aceitação no mercado consumidor internacional.

Organismos como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) apontam que a aquicultura chinesa cresce de forma contínua desde os anos 2000, apoiada por políticas públicas de segurança alimentar e incentivo à diversificação de espécies cultivadas. Nesse contexto, o tambaqui passou a integrar a matriz produtiva chinesa como alternativa estratégica para ampliar a oferta global de proteína de peixe.

Apesar da perda da liderança em volume, o Brasil segue como referência mundial em pesquisa, genética e tecnologia de produção do tambaqui. O país concentra os principais bancos genéticos da espécie e domina técnicas de reprodução, larvicultura e engorda em ambientes tropicais. Esse conhecimento continua sendo fundamental para o desenvolvimento global da cadeia produtiva do peixe amazônico.

Redação

Referência: https://www.tempo.com/