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Boa Vista - RR, 11 de junho de 2026 as 14:43

CCJ aprova PEC que amplia autonomia do Banco Central e protege Pix

Geraldo Magela/Agência Senado

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CCJ aprova PEC que amplia autonomia do Banco Central e inclui proteção ao Pix na Constituição

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (10) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que amplia a autonomia do Banco Central e insere o sistema de pagamentos instantâneos Pix na Constituição Federal. A proposta segue agora para análise do Plenário do Senado, onde precisará ser votada em dois turnos.

O texto aprovado é resultado do substitutivo apresentado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM) e tem como principal objetivo fortalecer a independência institucional do Banco Central, garantindo autonomia técnica, administrativa, operacional, orçamentária e financeira.

Além disso, a PEC estabelece mecanismos de proteção ao Pix, considerado atualmente uma das principais ferramentas de inclusão financeira do país.

PEC amplia autonomia do Banco Central

Atualmente, o Banco Central já possui autonomia técnica e operacional garantida pela Lei Complementar nº 179, de 2021. Entretanto, a nova proposta amplia significativamente essa independência.

Com a aprovação da PEC, o Banco Central passará a ser definido constitucionalmente como uma entidade pública de natureza especial, integrante do setor público financeiro e dotada de poder de polícia.

Na prática, isso significa que a instituição terá maior autonomia para executar suas funções sem interferências políticas ou administrativas.

Segundo o relator da proposta, a medida fortalece a estabilidade financeira e monetária do país.

Banco Central terá orçamento próprio

Um dos pontos centrais da proposta é a criação de autonomia orçamentária e financeira para o Banco Central.

Atualmente, os recursos utilizados pela instituição estão vinculados ao Tesouro Nacional. Com a mudança, receitas geradas pelas operações da própria autoridade monetária poderão ser utilizadas diretamente para custear suas atividades.

Entre essas receitas estão:

  • Ganhos obtidos com reservas internacionais;
  • Operações financeiras realizadas pelo Banco Central;
  • Administração de ativos financeiros;
  • Receitas relacionadas à emissão de moeda.

O texto também prevê que uma futura lei complementar estabelecerá limites para o crescimento das despesas administrativas da instituição.

Pix ganha proteção constitucional

Outro destaque da PEC é a inclusão do Pix na Constituição Federal.

O texto determina que o Banco Central terá competência exclusiva para regular, operar e administrar o sistema de pagamentos instantâneos.

Além disso, a proposta proíbe expressamente:

  • Privatização do Pix;
  • Transferência da gestão para empresas privadas;
  • Concessão ou cessão do sistema a terceiros;
  • Alienação da infraestrutura tecnológica da plataforma.

A proposta também assegura princípios considerados essenciais para o funcionamento do sistema:

  • Gratuidade para pessoas físicas;
  • Acesso universal;
  • Segurança contra fraudes;
  • Eficiência operacional;
  • Confiabilidade dos serviços.

Segundo o relator, o Pix se tornou uma ferramenta fundamental para a economia brasileira e para a inclusão financeira da população.

Debate sobre impacto fiscal marcou votação

Durante a análise da matéria na CCJ, parlamentares discutiram possíveis impactos fiscais decorrentes da autonomia financeira do Banco Central.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apresentou emenda demonstrando preocupação com eventuais prejuízos financeiros da instituição que poderiam exigir aportes do Tesouro Nacional.

Entretanto, o relator rejeitou a proposta, argumentando que o texto já contempla mecanismos adequados para lidar com essas situações.

Mesmo assim, Plínio Valério admitiu que o tema poderá voltar a ser debatido durante a tramitação no Plenário.

Banco Central ganha mais poderes de fiscalização

A PEC também reforça as competências regulatórias do Banco Central.

A instituição continuará responsável pela execução das políticas monetária, cambial e de estabilidade financeira, enquanto o Conselho Monetário Nacional (CMN) permanecerá encarregado da formulação das políticas de crédito e definição das metas econômicas.

Além disso, o Banco Central manterá poderes para:

  • Fiscalizar instituições financeiras;
  • Aplicar sanções administrativas;
  • Supervisionar bancos e entidades financeiras;
  • Atuar em situações de risco à estabilidade do sistema financeiro.

Segundo o parecer aprovado, esses instrumentos são fundamentais para garantir a solidez do sistema financeiro nacional.

Servidores terão direitos preservados

O texto também aborda a situação dos servidores da instituição.

A proposta assegura que a mudança constitucional não resultará em perda de direitos dos atuais funcionários ativos e aposentados.

Por outro lado, concede ao Banco Central autonomia para definir políticas remuneratórias futuras, criar ou extinguir cargos e organizar seus próprios quadros de pessoal.

PEC segue para votação no Plenário

Com a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça, a PEC 65/2023 avança para uma nova etapa de tramitação no Senado.

Para ser aprovada definitivamente, a proposta precisará passar por dois turnos de votação no Plenário e obter apoio mínimo de três quintos dos senadores.

Caso seja aprovada pelo Senado, a matéria seguirá para análise da Câmara dos Deputados.

A proposta representa uma das mais significativas mudanças institucionais envolvendo o Banco Central nos últimos anos e pode consolidar definitivamente a independência da autoridade monetária brasileira, além de garantir proteção constitucional ao Pix, sistema que revolucionou os meios de pagamento no país.

Fonte: Agência Senado