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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 08:34

Cabelos grisalhos podem ter evoluído como proteção contra o câncer

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Estudo sugere que o embranquecimento dos fios pode indicar um mecanismo natural do corpo para reduzir o risco de tumores.

O surgimento de cabelos grisalhos, tradicionalmente associado ao envelhecimento, pode ter um significado biológico mais profundo do que se imaginava. Um estudo recente indica que o embranquecimento dos fios pode estar ligado a um mecanismo de defesa do organismo contra o desenvolvimento do câncer.

A pesquisa, realizada com modelos animais e publicada em outubro na revista Nature Cell Biology, aponta que fatores cancerígenos  como radiação ultravioleta e certos produtos químicos  ativam respostas celulares que, ao mesmo tempo em que aceleram o aparecimento de cabelos grisalhos, reduzem o risco de formação de tumores.

Os cientistas acompanharam o comportamento das células-tronco responsáveis pela pigmentação dos cabelos, conhecidas como células-tronco de melanócitos. Essas células produzem melanina, o pigmento que dá cor aos fios. Ao longo da vida, elas se renovam continuamente dentro do folículo capilar.

Segundo os pesquisadores, quando essas células sofrem danos no DNA, elas podem seguir dois caminhos distintos. Um deles é interromper sua divisão celular, entrando em um estado chamado senescência celular. Esse processo leva à perda gradual da produção de pigmento, resultando no aparecimento de cabelos grisalhos. No entanto, essa “parada” também impede que mutações genéticas se propaguem, reduzindo o risco de câncer.

“O embranquecimento do cabelo pode ser visto como um efeito colateral de um importante mecanismo anticâncer”, explica a bióloga celular Dot Bennett, da City St George’s, Universidade de Londres, que não participou do estudo. Segundo ela, a senescência celular funciona como um limite natural para evitar que células danificadas se multipliquem de forma descontrolada.

Nos experimentos, camundongos expostos à radiação ionizante apresentaram rápida perda das células-tronco de melanócitos, levando ao embranquecimento precoce dos pelos, mas com menor incidência de tumores. Já quando os animais foram expostos a carcinógenos químicos específicos, esse mecanismo de proteção foi contornado. As células continuaram se dividindo e produzindo pigmento, mantendo a cor dos pelos, mas, a longo prazo, isso resultou em maior formação de tumores.

Para a pesquisadora Emi Nishimura, da Universidade de Tóquio e autora principal do estudo, os resultados mudam a forma como o envelhecimento capilar é interpretado. “O cabelo grisalho e o melanoma não são eventos isolados, mas desfechos diferentes das respostas das células-tronco ao estresse”, afirmou.

O próximo desafio dos cientistas é verificar se esses mesmos mecanismos observados em camundongos também ocorrem nos folículos capilares humanos. Caso se confirmem, os achados podem abrir novas perspectivas sobre envelhecimento, prevenção do câncer e biologia celular.

Redação

Referencia: https://www.livescience.com/