Aos 92 anos, autor de clássicos como Por Amor e Páginas da Vida deixa legado histórico na TV e redefine o gênero de folhetins no país.
O Brasil perdeu neste sábado (10) um dos mais influentes e marcantes escritores de novelas de sua história televisiva. Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, conhecido nacionalmente como Manoel Carlos ou simplesmente “Maneco”, morreu aos 92 anos, deixando um legado que moldou décadas do formato mais popular da teledramaturgia brasileira.
A morte foi confirmada pela produtora Boa Palavra, detentora dos direitos autorais de suas obras, que divulgou nota lamentando a perda do autor. A mensagem destacou a importância de Maneco para a cultura brasileira e o carinho que seu nome despertava no meio artístico e no público.
Nascido em 14 de março de 1933, em São Paulo, Manoel Carlos começou sua trajetória artística ainda muito jovem, no teatro. Nos anos 1950, passou a atuar também na televisão, participando de novelas, programas e produções diversas. Sua primeira novela, Helena, foi exibida em 1952 pela TV Paulista, então embrião do que mais tarde se tornaria a Rede Globo. Antes de consolidar seu nome no grande público, passou por emissoras como Tupi, Record, Manchete e Band, acumulando funções como autor, roteirista, diretor e produtor.
O grande reconhecimento viria, no entanto, com suas novelas na Globo. A estreia no canal ocorreu em 1978 com Maria, Maria. Em 1980, coassinou Água Viva ao lado de Gilberto Braga, marco que o inseriu definitivamente no horário nobre. A partir daí, uma sequência de sucessos se tornou parte da memória afetiva de milhões de brasileiros, incluindo Baila Comigo, Sol de Verão, Felicidade, Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida, Viver a Vida e, já em 2014, Em Família, sua última novela.
Os folhetins de Manoel Carlos ajudaram a definir uma estética própria: protagonistas femininas marcantes – frequentemente chamadas Helena –, tramas familiares recheadas de dilemas emocionais e sociais, e o Rio de Janeiro como cenário recorrente, mesmo sendo ele um paulistano de origem. Também assinou produções marcantes fora do campo das novelas, como Malu Mulher, Presença de Anita e Maysa: Quando Fala o Coração.
Seu estilo delicado na condução de dramas cotidianos consolidou o autor como uma referência incontornável para a teledramaturgia nacional. Suas obras seguem em reprise, plataformas digitais e no imaginário coletivo, assegurando-lhe um espaço permanente na história da televisão brasileira.
Fonte: Agencia Brasil