Matrículas no ensino médio registram menor nível em uma década
As matrículas no ensino médio no Brasil atingiram o menor patamar dos últimos dez anos, segundo dados do Censo Escolar divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). Entre 2024 e 2025, houve uma redução de 5,3% no número de estudantes nessa etapa da educação básica.
A queda foi puxada principalmente pela rede pública, enquanto a rede privada apresentou leve crescimento de 0,6% no mesmo período.
Redução é influenciada por São Paulo
Um dos principais fatores para a diminuição das matrículas no ensino médio é o impacto registrado no estado de São Paulo. Dos 425 mil alunos a menos no ensino médio público em todo o país, 259 mil — cerca de 60% — são de escolas paulistas.
Mesmo sendo o estado mais populoso do Brasil, São Paulo concentra cerca de 20% dos estudantes dessa etapa, o que amplia o impacto da redução no cenário nacional.
Ensino médio ainda enfrenta desafios estruturais
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 7,3 milhões de alunos no ensino médio. Apesar do número expressivo, essa etapa ainda é considerada um dos maiores desafios da educação básica, principalmente devido à evasão escolar.
Dados anteriores apontam que apenas 82,8% dos jovens entre 15 e 17 anos estavam matriculados. Entre os mais pobres, esse índice cai para 72%, evidenciando desigualdades no acesso e permanência na escola.
As matrículas no ensino médio são diretamente impactadas por fatores como:
- Necessidade de trabalhar
- Gravidez na adolescência
- Desinteresse pelos estudos
- Vulnerabilidade social
Governo aponta melhora no fluxo escolar
De acordo com o MEC, a queda nas matrículas no ensino médio pode ser explicada por dois fatores principais: a transição demográfica e a melhoria no fluxo escolar.
Segundo o ministro da Educação, houve redução significativa na distorção idade-série — indicador que mede o atraso escolar. Em 2021, cerca de 27,2% dos alunos estavam fora da série adequada à idade, número que caiu para 14% em 2025.
“Os alunos estão repetindo menos, o que evita o inchaço do sistema”, explicou.
Isso significa que mais estudantes estão avançando corretamente nas séries, reduzindo a necessidade de permanência prolongada no ensino médio.
Transição demográfica impacta educação
Outro fator relevante é a redução da população jovem no Brasil. A queda no número de crianças e adolescentes tem impacto direto nas matrículas no ensino médio.
Essa mudança demográfica também traz consequências para o futuro do mercado de trabalho e para áreas como saúde e previdência, devido ao envelhecimento da população.
Programas para combater evasão escolar
Para enfrentar os desafios das matrículas no ensino médio, o governo federal lançou programas como o Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro para estudantes permanecerem na escola.
A iniciativa, que tem custo estimado em R$ 12 bilhões, busca reduzir a evasão escolar, embora ainda não haja resultados conclusivos sobre sua efetividade.
Crescimento do ensino em tempo integral
Apesar da queda nas matrículas no ensino médio, um dado positivo é o crescimento da educação em tempo integral.
Entre 2024 e 2025, houve aumento de 11% no número de alunos nessa modalidade na rede pública. Atualmente, cerca de 8,8 milhões de estudantes estão matriculados em tempo integral, representando 19% do total.
O governo tem como meta ampliar ainda mais esse número até 2026, com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino e reduzir desigualdades.
Cenário geral da educação básica
No total, o Brasil possui atualmente cerca de 46 milhões de estudantes na educação básica, uma redução de aproximadamente 1 milhão em relação a 2024.
Desse total:
- 9 milhões estão na rede privada
- A maioria está na rede pública
As matrículas no ensino médio refletem, portanto, um cenário mais amplo de mudanças estruturais na educação brasileira.
Fonte: Jovem Pan