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Boa Vista - RR, 3 de fevereiro de 2026 as 21:47

Biópsia líquida prevê resposta ao tratamento no câncer

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Exame de sangue pode antecipar se pacientes com câncer de mama avançado responderão aos medicamentos, reduzindo tempo e erros terapêuticos.

Pesquisadores do Reino Unido demonstraram que uma biópsia líquida  exame de sangue capaz de identificar fragmentos de DNA tumoral pode ajudar a prever se pacientes com câncer de mama avançado responderão à terapia oncológica. O estudo, publicado na revista Clinical Cancer Research, indica que a técnica pode oferecer uma forma não invasiva de monitorar a eficácia dos medicamentos e identificar rapidamente quem não está se beneficiando do tratamento.

A pesquisa analisou amostras de sangue de 167 pessoas com câncer de mama avançado no Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres. O teste foi realizado antes do início do protocolo terapêutico e novamente quatro semanas depois. Em ambas as coletas, a equipe de cientistas avaliou a presença de níveis mínimos de DNA tumoral circulante, conhecido como ctDNA, e comparou os resultados com informações clínicas, como tempo de progressão da doença e resposta aos medicamentos.

Os pesquisadores observaram uma forte associação entre níveis baixos de ctDNA e maior eficácia do tratamento. O ctDNA corresponde a pequenos fragmentos de DNA liberados pelas células tumorais durante a morte celular ou de forma ativa. Segundo especialistas, sua presença no sangue pode ser detectada antes mesmo que exames tradicionais de imagem, como tomografia ou mamografia, identifiquem lesões.

Para Ramon Andrade de Mello, médico do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, o método tem potencial para antecipar decisões terapêuticas. “Quando um tumor está em desenvolvimento, fragmentos de material genético se desprendem da lesão e entram na corrente sanguínea. A biópsia líquida consegue detectar essas partículas precocemente”, afirma. Além do papel diagnóstico, a técnica permite ajustar o tratamento, identificar mutações e monitorar a evolução da doença, sobretudo em terapias-alvo e imunoterapia. Segundo o especialista, estudos internacionais apontam taxa de eficácia de cerca de 92%.

Os autores do trabalho ressaltam que a biópsia líquida pode, no futuro, reduzir o tempo até a troca de medicamentos, evitar tratamentos ineficazes e personalizar abordagens terapêuticas para diferentes perfis tumorais.

ReferÊncia: https://www.correiobraziliense.com.br