Queda de energia que já dura mais de 48h expõe impasse entre governo federal, Tarcísio e Nunes sobre a renovação do contrato da Enel.
O novo apagão que atinge a cidade de São Paulo há mais de 48 horas intensificou a disputa política entre o governo federal, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB). O episódio deixou cerca de 800 mil moradores sem energia e reacendeu o debate sobre a possível prorrogação do contrato da Enel por mais 30 anos um ponto de forte discordância entre as administrações estadual e municipal e o Governo do Brasil.
Na quinta-feira (11), Tarcísio criticou duramente a distribuidora e o Ministério de Minas e Energia, afirmando que São Paulo está “refém” da empresa. Para ele, a recorrência de apagões demonstra falta de previsibilidade e lentidão no restabelecimento do serviço. O governador reforçou que é contra a renovação do contrato e que considera o desempenho da concessionária insatisfatório diante dos eventos climáticos extremos.
Segundo Tarcísio, a população tem enfrentado longos períodos sem energia, o que demonstra a fragilidade da infraestrutura. “A gente não pode ficar refém. Todo evento climático causa o mesmo problema. Esse restabelecimento completo vai levar dias, como sempre”, declarou.
O governo federal respondeu com firmeza. Em nota divulgada nesta sexta-feira (12), o Ministério de Minas e Energia acusou o governador e o prefeito de transformar um evento climático severo em disputa política. A pasta afirmou que sua prioridade é restabelecer o serviço com segurança, não alimentar conflitos. O ministro Alexandre Silveira destacou ainda que segue aberto ao diálogo com ambos os líderes paulistas.
De acordo com o ministério, falhas ou omissões da distribuidora serão apuradas com rigor pela agência reguladora. Segundo os dados, os ventos superiores a 110 km/h que atingiram São Paulo provocaram quase 2,5 milhões de desligamentos. Desses, cerca de 1,7 milhão já tiveram o serviço restabelecido, mas aproximadamente 800 mil unidades consumidoras permanecem sem energia.
A CEAGESP, maior entreposto da América do Sul, também foi afetada, ficando mais de 40 horas no escuro. A interrupção trouxe prejuízos ainda não calculados para os mais de 3 mil comerciantes que dependem da energia para conservar e movimentar produtos essenciais como frutas, legumes, peixes e flores.
O apagão reacende discussões sobre gestão, investimentos, vulnerabilidade da rede e responsabilidades compartilhadas entre governo federal, estado e prefeitura.
Redação
Fonte: Jovem Pan