Análise do Sebrae aponta expansão das exportações em setores estratégicos com forte presença da micro e pequena empresa brasileira
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) representa um marco histórico para a economia brasileira e deve ampliar significativamente as oportunidades de mercado para micro e pequenas empresas. Segundo análise do Sebrae, a redução de barreiras tarifárias e burocráticas prevista no tratado tende a impulsionar as exportações e a geração de receita em segmentos estratégicos, como café, frutas, cachaça, carnes, mel e madeira processada.
Formalizado no último dia 17, o Acordo Mercosul–UE poderá injetar até R$ 37 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil até 2044, conforme estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Para o Sebrae, o impacto positivo será especialmente relevante em cadeias produtivas onde a atuação de micro e pequenos empreendedores é predominante.
De acordo com o diretor técnico e presidente interino do Sebrae, Bruno Quick, o tratado amplia o acesso do produto brasileiro a um mercado consumidor de mais de 700 milhões de pessoas, considerando os dois blocos. Ao mesmo tempo, o acordo facilita a importação de máquinas e insumos a custos mais competitivos, o que tende a elevar a produtividade interna das empresas nacionais. Segundo ele, o momento exige preparação dos pequenos negócios para atender às exigências técnicas e regulatórias do mercado europeu.
Entre os setores com maior potencial de crescimento está o café beneficiado, como o torrado e o solúvel. Atualmente submetidos a tarifas entre 7,5% e 11,5%, esses produtos terão as alíquotas zeradas em até quatro anos. A projeção do Sebrae indica que o quilo do café beneficiado pode gerar até 165% mais receita em comparação ao grão cru, agregando valor à produção nacional.
Outro destaque é o segmento de carnes de aves e suínos, que pode registrar aumento de 19,7% nas exportações até 2040, além de crescimento produtivo de 9,2%. O acordo prevê uma cota de 180 mil toneladas com tarifa zero, a ser implementada de forma gradual ao longo de sete anos. Já na carne bovina, a criação de uma cota de 99 mil toneladas com tarifa reduzida para 7,5% deve favorecer a competitividade do produto brasileiro, resultando em crescimento estimado de 5,1% nas exportações.
O setor de frutas também será beneficiado, com eliminação imediata de tarifas para uvas e maçãs e redução gradual para limões em até sete anos. A medida coloca o Brasil em condições semelhantes às de países concorrentes, como Chile e Peru, que já possuem isenção tarifária no mercado europeu.
Produtos tipicamente brasileiros, como a cachaça, ganham não apenas acesso ampliado ao mercado europeu, mas também maior proteção de sua identidade. A redução gradual da tarifa de 8% até zerar em quatro anos, aliada à cota de exportação com tarifa zero para o produto a granel, fortalece o reconhecimento da bebida como denominação exclusiva do Brasil.
O acordo também favorece produtos com Indicação Geográfica (IG), como o queijo da Canastra, o mel de melato de bracatinga e cafés especiais de diversas regiões. Segundo o Sebrae, esses itens tendem a ganhar competitividade por carregarem um selo de autenticidade e qualidade reconhecido internacionalmente.
Além de projetar ganhos, o Sebrae reforça que seguirá ampliando ações de apoio aos pequenos negócios, com foco em certificações exigidas pela União Europeia, sustentabilidade, marketing internacional, design, biosseguridade, certificação orgânica e fortalecimento de selos oficiais, preparando os empreendedores brasileiros para aproveitar plenamente as oportunidades abertas pelo acordo.
Fonte: SEBRAE/Nacional