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Boa Vista - RR, 8 de novembro de 2026 as 12:17

Projeto “Educar é Prevenir” chega à 68ª escola e alerta estudantes sobre tráfico humano em Roraima

Fotos: Nonato Sousa

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Iniciativa da Assembleia Legislativa de Roraima promove palestras e rodas de conversa sobre exploração sexual, aliciamento de menores e riscos nas redes sociais. Escola Estadual Professora Coema Souto Maior Nogueira recebeu a programação nesta sexta-feira (6).

O combate ao tráfico humano e à exploração de crianças e adolescentes ganhou mais um reforço nas escolas de Roraima. O projeto “Educar é Prevenir”, desenvolvido pelo Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (PDDHC), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), chegou à sua 68ª instituição de ensino, levando orientações sobre prevenção, identificação de situações de risco e proteção de jovens.

A programação foi encerrada nesta sexta-feira (6), na Escola Estadual Professora Coema Souto Maior Nogueira. Durante as atividades, estudantes dos ensinos fundamental e médio participaram de palestras, rodas de conversa e ações educativas sobre tráfico de pessoas, exploração sexual e aliciamento pela internet.

A iniciativa também envolve a distribuição de materiais informativos e a capacitação de integrantes da comunidade escolar. Dessa maneira, estudantes, professores e lideranças escolares podem atuar como multiplicadores de informações e contribuir para a prevenção desse tipo de violência.

O tráfico humano é uma atividade criminosa que envolve o recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas para fins de exploração. Entre as modalidades estão a exploração sexual, o trabalho análogo à escravidão, a remoção ilegal de órgãos e tecidos e outras formas de exploração.

Crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis. Muitas vezes, os criminosos utilizam falsas promessas de emprego, oportunidades de vida e relacionamentos para conquistar a confiança das vítimas.

Estudantes alertam para os perigos do aliciamento nas redes sociais

A participação dos jovens foi um dos destaques das atividades realizadas na escola. O estudante Zairon Duarte, de 15 anos, do 9º ano, compartilhou sua experiência e defendeu que o assunto seja discutido sem preconceitos ou censura.

Segundo ele, os riscos também estão presentes nos ambientes virtuais, especialmente em redes sociais e jogos on-line, onde pessoas mal-intencionadas podem tentar estabelecer contato com crianças e adolescentes.

“Eu acho que as pessoas deveriam ter mais ciência sobre isso, porque acontece muito no mundo real e virtual. Existe muita gente má e, querendo ou não, coisas ruins sempre vão acontecer. Sou muito ativo nas redes sociais e nos jogos on-line. Sei de casos de amigos que receberam mensagens estranhas, eu também já recebi, e minha iniciativa foi denunciar”, relatou.

O depoimento reforça a importância de orientar os estudantes sobre abordagens suspeitas, pedidos de informações pessoais e propostas que possam representar riscos à segurança.

Escola destaca importância da prevenção contra o tráfico humano

Esta foi a primeira vez que a Escola Estadual Professora Coema Souto Maior Nogueira recebeu o projeto. O vice-diretor, Marco Aurélio Sousa, destacou que as atividades chamaram a atenção dos estudantes, principalmente pela quantidade de situações relacionadas ao tráfico humano e à exploração de pessoas.

Para ele, iniciativas como essa ajudam a comunidade escolar a reconhecer situações de perigo e compreender como agir diante de possíveis tentativas de aliciamento.

“Percebemos que os alunos ficaram em silêncio e prestaram atenção ao que foi passado, pois é um assunto que interessa a eles. Eles já tinham uma certa noção sobre o tema. No entanto, as informações passadas pelos órgãos atuantes ajudaram a esclarecer as dúvidas que eles tinham. Acho que essas palestras deveriam ser obrigatórias em toda a rede de ensino, tanto estadual quanto municipal”, sugeriu.

Conselho Tutelar alerta para sinais de abuso sexual

O encerramento das atividades também contou com a participação do conselheiro tutelar Kalleb Ribeiro, que abordou os sinais de alerta relacionados ao abuso sexual contra crianças e adolescentes.

Segundo ele, a prevenção precisa ser discutida tanto nas escolas quanto dentro das famílias. O conselheiro ressaltou que o diálogo entre pais e filhos é fundamental para que crianças e adolescentes consigam reconhecer situações de violência e procurem ajuda.

“Os pais, às vezes, pensam que isso é educação sexual e não é, isso é prevenção. É algo que realmente os alunos precisam entender e muitos pais criam um tabu para falar. Diversos adolescentes nunca ouviram falar e não sabem o que é porque a família nunca falou. Então, é preciso dialogar. Há alunos que já foram abusados e não sabem que isso foi um abuso. Por isso, essa fala precisa acontecer. A ignorância ajuda o agressor a ganhar e a gente precisa vencer essa luta”, destacou Ribeiro.

A orientação é que crianças e adolescentes tenham liberdade para conversar com adultos de confiança sobre abordagens suspeitas, ameaças, pedidos de imagens íntimas e outras situações que provoquem desconforto ou medo.

Projeto amplia atuação nas escolas de Roraima

O coordenador do projeto, Glauber Batista, explicou que, desde 2025, o Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania ampliou a participação de escolas do ensino fundamental no cronograma de atividades.

A mudança considera a necessidade de levar informações preventivas também aos estudantes mais jovens, que podem estar expostos a situações de risco tanto no ambiente presencial quanto no digital.

Segundo o coordenador, a participação dos estudantes, das lideranças escolares e dos professores capacitados durante a semana foi um dos pontos positivos da programação na 68ª escola.

“Hoje eles foram muito participativos. Inclusive, os líderes, vice-líderes e professores que a gente capacitou durante a semana. Toda a escola está de parabéns. É muito bom quando a gente vê esse envolvimento em um projeto que trabalhamos desde 2017”, afirmou.

Glauber Batista também chamou a atenção para os riscos relacionados ao uso de celulares, redes sociais e aplicativos. De acordo com ele, os aliciadores utilizam esses meios para estabelecer contato com possíveis vítimas, conquistar confiança e apresentar falsas promessas.

Por isso, o projeto reforça orientações sobre segurança digital, identificação de abordagens suspeitas e cuidados com pessoas desconhecidas na internet.

Conscientização é fundamental para proteger crianças e adolescentes

A chegada do projeto “Educar é Prevenir” à 68ª escola reforça a importância de levar informações sobre tráfico humano, exploração sexual e violência contra crianças e adolescentes para dentro do ambiente escolar.

Além das palestras, a participação de professores, familiares, conselheiros tutelares e lideranças estudantis contribui para ampliar a rede de proteção e facilitar a identificação de possíveis situações de violência.

A iniciativa da Assembleia Legislativa de Roraima busca fortalecer a prevenção por meio da informação e do diálogo, mostrando que crianças e adolescentes precisam conhecer seus direitos e saber onde procurar ajuda.

Fonte: SupCom ALERR