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Boa Vista - RR, 4 de novembro de 2026 as 02:45

ALERR debate cidadania digital e segurança na internet

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ALERR debate segurança, comportamento e cidadania no mundo digital

Podcast reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir inclusão digital, inteligência artificial, saúde mental e prevenção de crimes virtuais.

O uso da internet e das tecnologias digitais na educação, no trabalho e nas relações pessoais foi tema de um debate promovido pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), nesta sexta-feira (30). A Superintendência de Comunicação (SupCom) realizou o podcast “Cidadania Digital: oportunidades, responsabilidades e os desafios da vida conectada”, reunindo profissionais das áreas de educação, psicologia e segurança pública.

O encontro abordou os benefícios da tecnologia, os desafios da inclusão digital e os cuidados necessários para uma utilização consciente da internet, especialmente diante do crescimento dos golpes virtuais e da presença da inteligência artificial no cotidiano.

O mediador do programa, Johann Barbosa, destacou que a proposta foi reunir diferentes especialistas para apresentar perspectivas variadas sobre o tema.

“É uma forma que a TV Assembleia tem de reunir especialistas em várias áreas, como educação, segurança e psicologia, para tratar desse assunto por diferentes vertentes”, afirmou.

Inclusão digital vai além do acesso à internet

A professora e pesquisadora da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Beatriz Patrícia de Lima Level, ressaltou que ter acesso à internet ou possuir equipamentos tecnológicos não significa, necessariamente, estar incluído digitalmente.

Segundo ela, é fundamental desenvolver habilidades para utilizar as ferramentas de maneira adequada e avaliar criticamente as informações disponíveis.

“Ter acesso à internet, ter um aparelho celular ou notebook não significa ter, de fato, inclusão digital. É preciso saber utilizar essas ferramentas e verificar as informações de forma crítica”, explicou.

A especialista também chamou atenção para o uso da inteligência artificial por estudantes, principalmente na realização de atividades escolares. A preocupação é que a dependência dessas ferramentas prejudique o desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade e dos hábitos de leitura.

“Ainda não temos todas as respostas. Precisamos analisar melhor os impactos que a inteligência artificial tem e ainda terá nas futuras gerações, nas relações sociais e nos processos de aprendizagem que serão estabelecidos em um futuro muito próximo”, pontuou.

Uso excessivo da tecnologia e saúde mental

Os impactos da tecnologia sobre o comportamento e a saúde mental também foram discutidos durante o podcast.

O acadêmico de Psicologia Anthony Ripardo abordou possíveis efeitos da exposição constante aos estímulos digitais sobre a atenção, a memória e o funcionamento cognitivo.

Ele destacou que o uso intenso das redes e das ferramentas digitais pode estar relacionado a questões como estresse e transtornos mentais.

“Foi muito rico compreender como a tecnologia tem afetado principalmente os circuitos atencionais, cognitivos e de memória, e como isso pode desencadear questões relacionadas ao estresse e aos transtornos mentais”, afirmou.

Delegado alerta para golpes virtuais em Roraima

Na área da segurança pública, o delegado Eduardo Patrício, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), destacou que o combate aos crimes virtuais depende também da participação e da conscientização da população.

Segundo ele, a atuação policial precisa ser acompanhada de iniciativas educativas para orientar os usuários sobre os riscos existentes no ambiente digital.

“Para reprimir os crimes cibernéticos, não basta apenas a atuação da delegacia. Também precisa haver um trabalho de conscientização das pessoas”, ressaltou.

O delegado defendeu ainda a inclusão da educação digital nas políticas públicas e nas escolas, com orientações adequadas à idade dos estudantes. A proposta é preparar crianças e adolescentes para reconhecer situações de risco e utilizar a internet com responsabilidade.

“Uma criança que teve esse preparo, mesmo que básico, vai chegar à adolescência e à vida adulta muito mais consciente e preparada para os desafios que estão por vir”, afirmou.

Entre os golpes registrados com frequência em Roraima, Eduardo Patrício citou o chamado “golpe do falso advogado”, no qual criminosos se passam por profissionais que representam vítimas em processos judiciais e solicitam transferências de dinheiro.

Outro golpe mencionado foi o do “falso perfil no WhatsApp”, em que criminosos utilizam fotografias de familiares ou conhecidos para criar contas falsas e pedir dinheiro a pessoas próximas.

Educação digital é fundamental para a prevenção

O debate promovido pela ALERR reforçou a importância de preparar a população para os desafios da vida conectada. Além de conhecer as ferramentas tecnológicas, os usuários precisam desenvolver senso crítico, proteger informações pessoais e desconfiar de solicitações financeiras inesperadas.

A participação de especialistas de diferentes áreas permitiu abordar a cidadania digital sob perspectivas complementares, destacando que a segurança na internet depende de informação, educação e responsabilidade no uso das tecnologias.

Fonte: SupCom ALERR