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Boa Vista - RR, 13 de outubro de 2026 as 17:46

Malária – Anvisa autoriza testes em humanos de vacina brasileira

© Alex Pazuello/Secom

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Desenvolvida por pesquisadores da UFMG, a Vivaxin será avaliada inicialmente em 48 voluntários; estudo pretende verificar a segurança e a resposta imunológica do imunizante.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina desenvolvida no Brasil para combater a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax. A autorização representa uma nova etapa das pesquisas conduzidas pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O imunizante utiliza tecnologia nacional e tem como alvo uma espécie do parasita responsável pela maioria dos casos de malária registrados no Brasil. O projeto conta com incentivo previsto de R$ 12 milhões do Ministério da Saúde para a realização de ensaios clínicos das fases I, II e III.

A primeira etapa do estudo deverá reunir 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, que nunca tiveram infecção prévia por malária. O objetivo é avaliar a segurança da vacina, possíveis reações após a aplicação e sua capacidade de estimular uma resposta do sistema imunológico.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o acompanhamento dos participantes está previsto para durar 360 dias. O esquema inicial informado prevê três doses, aplicadas com intervalos de 28 dias.

Vacina brasileira começa pela fase de segurança

A fase I é uma etapa inicial dos estudos clínicos e tem como principal finalidade avaliar a segurança do imunizante em seres humanos. Os pesquisadores também observarão possíveis efeitos adversos e a resposta imunológica dos voluntários.

A autorização da Anvisa permite que a pesquisa avance para essa fase, mas não significa que a vacina já tenha eficácia comprovada ou esteja liberada para aplicação na população.

Após a análise dos resultados, o desenvolvimento poderá avançar para etapas posteriores, nas quais os pesquisadores poderão avaliar outros aspectos, incluindo a eficácia e a capacidade de proteção contra a doença. A continuidade dependerá dos resultados e das autorizações regulatórias necessárias.

A Vivaxin é resultado de pesquisas realizadas pelo CTVacinas, da UFMG. A iniciativa busca desenvolver uma alternativa nacional para enfrentar uma doença que representa um desafio de saúde pública, especialmente na região amazônica.

Por que a vacina contra Plasmodium vivax é importante?

A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos principalmente pela picada de fêmeas infectadas do mosquito do gênero Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego.

Existem diferentes espécies de parasitas capazes de causar a doença. O Plasmodium vivax predomina nas Américas e em partes da Ásia e responde pela maioria dos casos registrados no Brasil.

As vacinas contra malária recomendadas internacionalmente até o momento foram desenvolvidas para combater o Plasmodium falciparum, espécie predominante em diversas regiões da África. Por isso, o desenvolvimento de um imunizante direcionado ao P. vivax representa uma frente específica de pesquisa científica.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 118.037 casos de malária em 2025. A maior parte ocorreu na região amazônica, que inclui Roraima, Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins.

Roraima está entre os estados com transmissão da doença

Roraima integra a área amazônica onde se concentra a maior parte dos casos de malária no país. Por isso, o avanço das pesquisas sobre prevenção e tratamento da doença é relevante para a região.

A transmissão ocorre quando uma pessoa é picada por um mosquito infectado. A malária não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra pelo contato cotidiano.

Entre os sintomas mais comuns estão febre, calafrios, dor de cabeça, suor intenso e mal-estar. A apresentação clínica pode variar, e a suspeita da doença exige avaliação e diagnóstico por um serviço de saúde.

O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para reduzir o risco de complicações. Sem tratamento adequado, a infecção pode persistir e, dependendo da espécie do parasita, voltar a causar episódios da doença.

Como se prevenir contra a malária

Enquanto a vacina brasileira permanece em fase de pesquisa, as medidas de prevenção continuam essenciais, principalmente para quem vive ou circula em áreas de transmissão.

Entre as recomendações estão:

  • Utilizar repelentes conforme as instruções do fabricante.
  • Usar mosquiteiros, especialmente em locais com presença de mosquitos.
  • Instalar telas em portas e janelas quando possível.
  • Reduzir a exposição às picadas, sobretudo ao entardecer e ao amanhecer.
  • Procurar atendimento de saúde rapidamente diante de sintomas compatíveis com malária, informando se houve permanência em área de transmissão.

A malária tem tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), e a escolha da terapia depende da espécie do parasita e da avaliação clínica.

Pesquisa busca ampliar as ferramentas de combate à malária

O avanço da Vivaxin para os testes em humanos abre uma nova etapa no desenvolvimento de uma vacina brasileira direcionada ao Plasmodium vivax. O projeto reúne pesquisa científica nacional e apoio federal para a realização dos estudos clínicos.

Os resultados das próximas fases serão importantes para determinar se o imunizante é seguro e eficaz e se poderá, futuramente, ser disponibilizado à população.

Até que todas as etapas de pesquisa e avaliação regulatória sejam concluídas, a vacina deve ser considerada experimental. As medidas de prevenção, o diagnóstico oportuno e o tratamento adequado continuam sendo fundamentais para o enfrentamento da malária no Brasil, especialmente na Amazônia.

 

Agência Brasil