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Boa Vista - RR, 14 de outubro de 2026 as 00:17

Torcedor do Cruzeiro é condenado a 67 anos por morte de atleticano

Cecília Pederzoli/TJMG

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Integrante da torcida organizada Máfia Azul foi condenado por um homicídio e seis tentativas após emboscada contra ônibus de torcedores do Atlético-MG, em Belo Horizonte

Um torcedor do Cruzeiro condenado a 67 anos de prisão foi responsabilizado pela participação em uma emboscada contra um ônibus que transportava torcedores do Atlético-MG, em Belo Horizonte. O ataque ocorreu em novembro de 2021 e terminou com a morte de Matheus de Freitas Ferreira, de 20 anos, além de deixar outras pessoas feridas.

Samuel Paixão de Souza, integrante da torcida organizada Máfia Azul, foi condenado na noite desta quarta-feira (12) por um homicídio consumado triplamente qualificado, um homicídio tentado triplamente qualificado e cinco homicídios tentados duplamente qualificados.

O julgamento foi realizado em Belo Horizonte. Como Samuel não compareceu à sessão, a juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti, responsável por presidir o Tribunal do Júri, determinou a expedição de um mandado de prisão contra ele.

Torcedor do Cruzeiro condenado após emboscada

O crime aconteceu em 28 de novembro de 2021, depois da partida entre Atlético-MG e Fluminense, disputada no Mineirão.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), integrantes de uma torcida organizada do Cruzeiro teriam planejado uma emboscada contra torcedores do clube rival.

O alvo era um ônibus da linha 6350, que transportava passageiros em direção à região do Barreiro.

Conforme a denúncia, os acusados teriam seguido em um veículo para interceptar o coletivo e aguardado a chegada de outros integrantes do grupo.

Depois que o ônibus foi cercado, os passageiros passaram a ser ameaçados e agredidos com diferentes objetos, como pedras, bolas de sinuca, barras de ferro e pedaços de madeira.

Jovem morreu após ser agredido

Durante o ataque, passageiros teriam pedido aos agressores que idosos, crianças e pessoas que não haviam participado da partida fossem liberados.

Segundo a denúncia, o pedido não foi atendido.

Algumas pessoas tentaram deixar o ônibus pelas janelas. No entanto, também teriam sido atacadas durante a tentativa de fuga.

Entre as vítimas estava Matheus de Freitas Ferreira, de 20 anos. O jovem não usava camisa de clube ou de torcida organizada quando foi atacado.

Matheus sofreu graves agressões e chegou a ser socorrido. Entretanto, não resistiu aos ferimentos e morreu.

Após a ação, os envolvidos tentaram fugir, mas foram presos pela Polícia Militar.

No veículo utilizado para interceptar o ônibus, os policiais encontraram três bastões de madeira, cinco artefatos explosivos de fabricação caseira, um soco inglês e fogos de artifício.

Júri condenou torcedor do Cruzeiro

O Conselho de Sentença responsável pelo julgamento foi formado por cinco homens e duas mulheres. Inicialmente, oito testemunhas estavam previstas para prestar depoimento.

Samuel deveria ter sido julgado em 29 de julho, junto com outros três réus. Entretanto, o processo foi desmembrado depois que a defesa apresentou alegações relacionadas a problemas de saúde.

Com isso, o julgamento do acusado ocorreu posteriormente.

A sentença estabeleceu uma pena total de 67 anos de prisão pelos crimes reconhecidos pelo Tribunal do Júri.

Como ele não compareceu ao julgamento, a Justiça determinou a expedição de mandado de prisão.

Outros três torcedores também foram condenados

Outros três torcedores do Cruzeiro já haviam sido julgados pelo mesmo caso.

As condenações resultaram em penas de 48 anos e seis meses, 24 anos e 20 anos de prisão.

Entretanto, os acusados já haviam passado por julgamentos anteriores. Posteriormente, as condenações foram anuladas após a Justiça reconhecer irregularidades processuais.

Por esse motivo, novos júris foram realizados para analisar novamente as responsabilidades dos envolvidos.

O caso permanece entre os episódios de maior repercussão relacionados à violência entre torcidas organizadas em Minas Gerais. A condenação de Samuel Paixão de Souza representa mais uma etapa do processo judicial iniciado após a emboscada contra o ônibus de torcedores do Atlético-MG, em 2021.

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