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Boa Vista - RR, 1 de agosto de 2026 as 17:57

MATERNIDADE
Podcast da TV ALERR debate os desafios enfrentados por mães solo em RR

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Podcast reuniu convidadas para discutir os desafios da ausência paterna na criação dos filhos.

A Superintendência de Comunicação da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), por meio da TV Assembleia (Canal 57.3), levou ao ar, nesta sexta-feira (31), o podcast “Mães Solo: quando criar um filho deixa de ser responsabilidade de dois”. O encontro reuniu mulheres convidadas para discutir esse fenômeno social e mostrar os impactos negativos e os desafios que a ausência paterna acarreta na vida da família.

Durante o debate, a jornalista e mediadora Isabela Bastos destacou que a maternidade solo vai muito além de números e pesquisas. Para se ter uma ideia, dados do IBGE apontam que mais de 11 milhões de mulheres no Brasil criam os filhos sozinhas. A maior parte está nas regiões Norte e Nordeste. Em Roraima, os dados apontam cerca de 15% dos lares.

 

 

 

A jornalista Isabela Bastos, mediadora do podcast, destacou que a maternidade solo é um assunto que requer debate aprofundado.

“Se trata de uma realidade presente no dia a dia. Muitas vezes, mais próxima do que a gente imagina e é marcada por dificuldades que nem sempre são conhecidas ou compreendidas pela sociedade”, destacou Isabela.

 

 

 

 

Impactos emocionais

Roraima está entre os estados brasileiros com maior proporção de mães solo. O cenário exige atenção e a necessidade de ampliar a assistência e o acolhimento a essas mulheres, que não assumem a maternidade solo por escolha, mas, sim, devido às circunstâncias, conforme analisou a psicóloga Geórgia Moura, uma das convidadas do debate.

‘Muitas mulheres passam a ser vistas apenas pelo papel materno, deixando de participar de eventos e do mercado de trabalho’, disse a psicóloga Geórgia Moura.

Entre as consequências mais comuns, segundo a especialista, aparecem alterações de humor, insônia, irritabilidade e o sentimento de invisibilidade social. “Muitas mulheres passam a ser vistas apenas pelo papel materno, deixando de participar de eventos. O mercado de trabalho, também, fica muito restrito. Então, uma rede de apoio, por menor que seja, auxilia essa mulher, porque, para ela, é muito cansativo e desgastante”, ressaltou.

Geórgia também comentou sobre o ‘burnout materno’, que é caracterizado pelo esgotamento físico e emocional decorrentes das responsabilidades da maternidade. “Isso influencia diretamente na saúde mental dessa mulher. Se todos em volta dela a ajudassem, teríamos, de modo geral, uma sociedade, com certeza, mais saudável”, afirmou.

 

 

 

Campanha “Meu Pai Tem Nome”

Para a juíza Suelen Márcia Alves, a parentalidade solo é um tema urgente que a sociedade precisa discutir.

O encontro também contou com a presença da titular do 1º Juizado Especializado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, juíza Suelen Márcia Alves, e da assistente social da Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR), Adilma Melo. Para a magistrada, a parentalidade solo é uma questão urgente da sociedade. O tema, inclusive, foi aprofundado no seu trabalho de mestrado pela Universidade Federal de Roraima (UFRR).

“Em pesquisas preliminares, observei que Roraima ocupa o primeiro lugar no ranking brasileiro de crianças registradas apenas com o nome da mãe. Isso despertou em mim a inquietação de entender por que esse índice é tão alto no estado. Então, me engajei nesse tema e, assim, compreender de onde surgiu essa cultura do abandono paterno”, frisou a juíza ao afirmar que a prática deve ser combatida, pois, toda criança tem o direito de ter o nome do pai reconhecido na certidão de nascimento e de ter a presença efetiva na sua educação.

 

 

Clara Roberta Cesário, assistente do projeto do Instituto Hermanitos, foi uma das participantes e falou sobre o trabalho realizado com mulheres imigrantes.

Adilma, que faz parte do projeto ‘Meu Pai Tem Nome’, comentou que atua com um psicólogo durante os atendimentos às mães. “Elas chegam e, no decorrer do atendimento, o defensor percebe que vai além da questão jurídica. Ele nota uma mãe chorando e muito desgastada. Então, eles encaminham essa mãe para o nosso centro para fazermos uma avaliação e tentar mediar uma conversa dessa assistida com o pai do seu filho, para que haja uma diminuição dessa sobrecarga”, detalhou.

A assistente social informou que, em 2025, cerca de 1,4 mil crianças foram registradas sem o nome do pai, uma realidade que impacta de diversas formas a vida da mulher. “É uma sobrecarga de todos os aspectos porque nos primeiros meses, na primeira infância, tudo fica em cima da mulher. Por isso, fazemos a campanha ‘Meu Pai Tem Nome’, para orientá-las que não deixem o registro paterno para depois. Pois, você está decidindo sobre a vida de um filho que também tem direito ao nome do pai, à convivência com a família paterna. É essencial pensar sobre o direito de quem ainda não tem o poder de decisão”, argumentou.

 

 

Estímulo ao empreendedorismo como fonte de renda

‘É essencial pensar sobre o direito de quem ainda não tem o poder de decisão”, argumentou Adilma Melo, assistente social da DPE-RR, sobre os filhos de pais ausentes.

A Clara Roberta Cesário, assistente do projeto Instituto Hermanitos, foi uma das participantes do podcast. Ela falou sobre o trabalho desenvolvido com mulheres migrantes, que ocorre por meio de capacitações na área do empreendedorismo.

“Nossa turma é composta por 50 mulheres. Entre elas, mães solos e chefes de família que chegam ao Brasil sem nenhuma perspectiva de trabalho. Esse projeto é muito lindo e as estimula a empreender na área de gastronomia. Nesse curso, elas aprendem a culinária brasileira e a resgatar a do seu país de origem. Elas aprendem, marketing social e educação financeira. É todo um conjunto de cursos para que elas possam começar o seu próprio negócio e tenham autonomia para gerar rendas para elas e suas famílias”, comentou.

O podcast foi transmitido ao vivo pela TV Assembleia (Canal 57.3). Será disponibilizado nas plataformas de áudio Deezer e Spotify, além da página oficial da Assembleia no YouTube (@assembleiarr) após o período de vedação eleitoral.

 

 

 

Texto: Suzanne Oliveira

Fotos: Jader Souza

SupCom ALERR


Fonte e imagens: ALE-RR POR SUPERVISÃO DE COMUNICAÇÃO– Leia a matéria completa aqui