A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) iniciou os atendimentos do projeto “Cuidar para Curar”, uma iniciativa voltada ao suporte de crianças vítimas de violência familiar e abusos. A ação é coordenada pela Secretaria Especial da Mulher e busca oferecer acompanhamento especializado para minimizar os impactos emocionais causados por esse tipo de situação.
Nesta primeira etapa, 20 crianças de até 12 anos serão atendidas. O projeto conta com uma estrutura preparada na sede da secretaria, além de uma equipe formada por assistente social — responsável por visitas domiciliares — e médica voluntária para atendimentos específicos.
A iniciativa surgiu a partir da identificação de casos graves durante atendimentos a mulheres em situação de violência. Em uma dessas situações, filhos de uma vítima deixaram de se comunicar em decorrência do ambiente em que viviam.
Segundo o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Soldado Sampaio, o projeto amplia o alcance das políticas públicas já existentes.
“É uma iniciativa inédita porque olha também para os filhos dessas mulheres. A criança precisa ter a infância protegida, e esse trabalho fortalece o enfrentamento da violência de forma mais ampla”, destacou.
Cenário preocupa autoridades
Dados recentes reforçam a urgência da ação. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, Boa Vista lidera o ranking entre cidades com mais de 100 mil habitantes nas taxas de estupro e estupro de vulnerável.
Em 2024, foram registrados cerca de 132 casos para cada 100 mil habitantes, representando um aumento superior a 36% em relação ao ano anterior.
Além disso, Roraima contabilizou mais de 4 mil ocorrências de violência contra a mulher nos últimos dois anos. O impacto desse cenário atinge diretamente o ambiente familiar, refletindo no desenvolvimento das crianças.
Impactos da violência na infância
Durante as avaliações iniciais do projeto, a equipe identificou casos de abuso sexual, medo constante, dificuldades para dormir e comportamentos agressivos em ambiente escolar.
A psicóloga Adria Almeida, especialista em parentalidade, explica que a intervenção precoce é essencial para evitar consequências futuras.
“O que a criança vive na primeira infância influencia diretamente na vida adulta. Nosso objetivo é garantir que ela tenha um desenvolvimento saudável, com dignidade e proteção”, afirmou.
Estudos científicos indicam que crianças expostas à violência tendem a apresentar prejuízos no desenvolvimento emocional e cognitivo, o que pode impactar toda a trajetória de vida.
Rede de apoio e proteção
O projeto também atua na construção de uma rede de apoio para famílias em situação de vulnerabilidade, buscando interromper o ciclo da violência.
A proposta é oferecer não apenas atendimento imediato, mas acompanhamento contínuo, garantindo melhores condições para que essas crianças cresçam em um ambiente mais seguro e saudável.
Fonte: SupCom ALERR