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Boa Vista - RR, 7 de março de 2026 as 02:25

STF suspende quebra de sigilo de Lulinha na CPMI do INSS, mas PF mantém investigação

JUCA VARELLA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

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STF suspende quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quinta-feira (5) a suspensão da quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que havia sido aprovada pela CPMI do INSS.

Apesar da decisão, o ministro ressaltou que a medida não invalida a quebra de sigilo autorizada anteriormente pela Polícia Federal no âmbito de investigação judicial.


Investigação da Polícia Federal continua válida

Em janeiro, o ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a quebrar os sigilos bancário, fiscal e telemático do empresário.

A investigação apura possíveis ligações de Lulinha com um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo especialistas jurídicos, as decisões dos ministros tratam de contextos diferentes.

O advogado Alan Januário explicou que a decisão de Dino se refere a um ato do Poder Legislativo, enquanto a autorização de Mendonça está vinculada a uma investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Judiciário.


Investigação envolve operação sobre fraudes no INSS

O nome de Lulinha apareceu em investigações da chamada Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União.

Durante as apurações, mensagens encontradas no celular do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes — conhecido como “Careca do INSS” — mencionariam repasses financeiros ao “filho do rapaz”, expressão que, segundo os investigadores, poderia se referir a Lulinha.

Os investigadores apontam que ao menos R$ 300 mil teriam sido mencionados nas conversas.


Votação na CPMI gerou controvérsia

A quebra de sigilo havia sido aprovada pela CPMI do INSS em reunião realizada no dia 26 de fevereiro.

Na ocasião, 87 requerimentos foram aprovados de forma conjunta, incluindo o que determinava a quebra de sigilo bancário e fiscal do empresário.

A votação gerou confusão entre parlamentares governistas e oposicionistas.

Deputados e senadores da base do governo criticaram a condução do processo pelo presidente da comissão, o senador Carlos Viana.


Alcolumbre manteve decisão da comissão

Após a votação, parlamentares governistas pediram a anulação da decisão junto ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre.

O pedido, no entanto, foi rejeitado.

Com isso, a decisão da CPMI que determinava a quebra de sigilo foi mantida administrativamente no Senado.


Defesa recorreu ao STF

Após a manutenção da decisão da comissão, os advogados de Lulinha recorreram ao STF.

O pedido ocorreu depois que o ministro Flávio Dino também suspendeu a quebra de sigilo de outra investigada pela CPMI, a empresária Roberta Luchsinger.

Os advogados argumentaram que a votação na comissão ocorreu sem fundamentação individualizada para cada caso, o que violaria regras do devido processo legislativo.


Dino aponta falhas no procedimento da CPMI

Ao analisar o caso, Flávio Dino entendeu que os requerimentos de quebra de sigilo foram votados “em globo”, ou seja, em conjunto e sem análise individual.

Segundo o ministro, esse procedimento pode gerar insegurança jurídica.

“Tal situação geraria insegurança jurídica e intermináveis debates tanto na esfera administrativa quanto na judicial”, afirmou.

Dino determinou que autoridades administrativas, como órgãos financeiros e fiscais, não executem as medidas aprovadas na reunião da CPMI.


STF define procedimento adequado para quebra de sigilos

Na decisão, o ministro também reforçou que comissões parlamentares têm poder para quebrar sigilos, desde que respeitem um procedimento formal adequado.

Segundo Dino, o rito correto deve incluir:

  1. apresentação detalhada do caso

  2. exposição dos fundamentos do pedido

  3. debate entre os parlamentares

  4. votação individualizada de cada requerimento

  5. deliberação formal

  6. registro da decisão em ata


CPMI investiga fraudes bilionárias no INSS

Instalada em agosto de 2025, a CPMI do INSS investiga um esquema de fraudes envolvendo empréstimos consignados e descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Segundo o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, o esquema pode ser considerado um dos maiores golpes contra aposentados e pensionistas da história do país.

A investigação aponta que o operador do esquema, conhecido como “Careca do INSS”, teria movimentado cerca de R$ 24,5 milhões em apenas cinco meses.

A comissão deve continuar ouvindo testemunhas até o dia 19 de março, antes da elaboração do relatório final.

Referência: Jovem Pan