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Boa Vista - RR, 7 de maio de 2026 as 22:43

Bancada feminina completa cinco anos no Senado

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Cinco anos da Bancada Feminina do Senado marcam avanço na representação política das mulheres

Há cinco anos, o Senado Federal formalizou, em seu Regimento Interno, a Bancada Feminina do Senado, garantindo às senadoras um espaço institucional próprio, com as mesmas prerrogativas concedidas a líderes partidários e de blocos parlamentares.

A medida assegurou:

  • Preferência no uso da palavra em plenário

  • Possibilidade de orientar votações

  • Participação no Colégio de Líderes

  • Indicação de líder e vice-líder

A formalização representou um marco na consolidação da atuação coletiva das mulheres no Parlamento e ampliou a visibilidade das pautas de interesse feminino na agenda legislativa.


A criação oficial da Bancada Feminina do Senado

A mudança foi consolidada em 11 de março de 2021, com a publicação da Resolução do Senado nº 5 de 2021, promulgada pelo então presidente da Casa, Rodrigo Pacheco.

A norma garantiu à bancada a indicação de líder e vice-líder, com revezamento semestral entre as integrantes.

A primeira líder foi a então senadora Simone Tebet (MS), atual ministra do Planejamento e Orçamento. O texto que deu origem à resolução partiu da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), com apoio das demais parlamentares em exercício à época.

Segundo Eliziane, a iniciativa surgiu da necessidade de garantir equidade de voz e voto no Colégio de Líderes, instância onde se define a pauta de votações do Senado.

Antes da formalização, as mulheres não tinham assento garantido nessas reuniões estratégicas. A institucionalização transformou uma articulação informal em um espaço permanente de representação com direitos equivalentes aos das demais lideranças.


Liderança atual e fortalecimento institucional

Em julho de 2025, a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) assumiu a liderança da Bancada Feminina do Senado, cargo que ocupa atualmente.

Na ocasião, ela reafirmou o compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e com a ampliação de políticas afirmativas.

Hoje composta por 16 integrantes, a bancada é maior que qualquer representação partidária individual na Casa — o PL, maior partido do Senado, possui 15 senadores. Apesar disso, as mulheres representam menos de 20% da composição total.

Ainda assim, a atual legislatura registra o maior número de senadoras em exercício da história.


Marcos históricos da presença feminina no Senado

A trajetória das mulheres na política brasileira antecede a formalização da bancada.

A princesa Princesa Isabel é considerada simbolicamente a primeira senadora da história do Brasil, por direito ao assento no Senado imperial aos 25 anos, embora nunca tenha exercido o cargo.

A primeira mulher a ocupar efetivamente uma cadeira no Senado foi Eunice Michiles, em 1979.

Em 1990 ocorreram as primeiras eleições diretas de mulheres para o Senado, com Júnia Marise e Marluce Pinto.

Até hoje, nenhuma mulher foi eleita presidente do Senado. Em 2010, Serys Slhessarenko presidiu a Casa por dois dias, de forma interina. Em 2021, Simone Tebet foi a primeira mulher a disputar oficialmente a presidência da Casa.

Entre outras pioneiras estão:

  • Laélia de Alcântara, primeira senadora negra

  • Bertha Lutz, figura central na conquista do voto feminino

  • Celina Guimarães Viana

  • Leolinda de Figueiredo Daltro


Estrutura física e ampliação do poder político

Em 9 de abril de 2025, o Senado inaugurou o gabinete da liderança da bancada feminina na Ala Senador Dinarte Mariz.

A criação do espaço foi proposta por Rodrigo Pacheco e viabilizada na gestão de Davi Alcolumbre.

O gabinete oferece estrutura equivalente às lideranças partidárias, fortalecendo a articulação suprapartidária — uma das principais características do colegiado.


Avanços legislativos impulsionados pela Bancada Feminina do Senado

Nos últimos cinco anos, a atuação coordenada da bancada contribuiu para a aprovação de importantes marcos legais.

Entre eles:

Pacote Antifeminicídio

A Lei 14.994 de 2024 elevou para até 40 anos a pena para feminicídio, ampliou sanções para crimes de violência de gênero e alterou regras de progressão de regime.

O texto teve origem em proposta da senadora Margareth Buzetti.

Violência política de gênero

A Lei 14.192 de 2021 estabeleceu normas para prevenir e punir a violência política contra a mulher.

Valorização histórica das mulheres

A Lei 14.986 de 2024 tornou obrigatório o estudo da participação feminina na construção da sociedade brasileira e instituiu a Semana de Valorização de Mulheres que Fizeram História.


Representatividade eleitoral e debate sobre o novo Código Eleitoral

A Bancada Feminina do Senado também tem atuado nas discussões sobre o novo Código Eleitoral, por meio do Projeto de Lei Complementar 112/2021, relatado pelo senador Marcelo Castro.

Entre os pontos debatidos estão:

  • Manutenção da cota mínima de 30% de candidaturas femininas

  • Destinação proporcional de recursos do Fundo Eleitoral

  • Reserva de cadeiras no Legislativo

A senadora Zenaide Maia tem defendido financiamento adequado para políticas públicas voltadas às mulheres.

Leila Barros reforça a necessidade de manter e ampliar instrumentos de incentivo à participação feminina.


Sub-representação ainda é desafio

Apesar dos avanços, o Brasil ocupa apenas a 133ª posição no ranking mundial de participação feminina no Parlamento, segundo dados da União Interparlamentar e da ONU Mulheres divulgados em 2025.

Hoje, as mulheres representam:

  • 18,7% da Câmara dos Deputados

  • 19,8% do Senado

Nas eleições de 2022, apenas quatro das 27 vagas em disputa no Senado foram conquistadas por mulheres.

Em 2025, a senadora Daniella Ribeiro tornou-se a primeira mulher escolhida como 1ª Secretária da Comissão Diretora do Senado  um avanço simbólico na ocupação de cargos estratégicos.


Democracia com pluralidade efetiva

Especialistas avaliam que a institucionalização da Bancada Feminina do Senado representa um avanço democrático.

Mais do que aumentar números, a medida fortalece instrumentos de poder político, amplia capacidade de negociação e assegura influência real na definição de prioridades legislativas.

A bancada atua de forma suprapartidária, construindo consensos a partir da escuta, análise técnica e identificação de convergências — independentemente de disputas ideológicas.


Cinco anos de transformação institucional

Cinco anos após sua formalização, a Bancada Feminina do Senado consolidou-se como espaço estratégico de articulação política.

Entre os principais resultados estão:

  • Participação garantida no Colégio de Líderes

  • Criação de gabinete próprio

  • Fortalecimento da agenda de enfrentamento à violência de gênero

  • Avanço em políticas de valorização e inclusão

  • Ampliação do protagonismo feminino no Parlamento

Apesar dos obstáculos estruturais e da sub-representação ainda persistente, o colegiado tornou-se referência de organização institucional e articulação suprapartidária.

A experiência demonstra que representação não é apenas presença numérica — é estrutura, organização e capacidade efetiva de influência.

Fonte: Agência Senado