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Boa Vista - RR, 7 de maio de 2026 as 09:28

Ministério da Saúde incinera vacinas e medicamentos e descarta R$ 108 milhões em 2025

Aline Massuca/Metrópoles

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Ministério da Saúde incinera vacinas e medicamentos e descarta R$ 108 milhões em 2025

O Ministério da Saúde incinera vacinas e medicamentos que somaram R$ 108,4 milhões em 2025. Desse total, 17,1%  o equivalente a R$ 18,5 milhões  ainda estavam dentro do prazo de validade no momento do descarte.

Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo a pasta, a taxa de incineração correspondeu a 1,48% do estoque total no ano. A meta para 2026 é reduzir esse percentual para 1%.

Apesar de ter havido redução em relação aos anos anteriores, o montante continua acima dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19.


Medicamentos de alto custo e vacinas entre os itens descartados

Entre os produtos incinerados estão medicamentos de alto custo e insumos hospitalares. Casos chamam atenção, como:

  • Blinatumomabe (R$ 141.929,07 por unidade), usado no tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda

  • Brentuximabe vedotina (R$ 88.905,59 por unidade), indicado contra linfomas

  • Vacinas contra dengue

  • Tratamentos para doenças raras

Também foram descartados dois kits de monitoramento de glicose que venceriam apenas em dezembro de 2050.


R$ 2 bilhões incinerados no atual governo

Nos três primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministério já incinerou aproximadamente R$ 2 bilhões em vacinas, medicamentos e insumos.

O valor é 3,3 vezes superior ao total registrado durante todo o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, que somou R$ 601,5 milhões.

O pico da série histórica ocorreu em 2023, quando o descarte atingiu R$ 1,3 bilhão, incluindo imunizantes contra a Covid-19 e anestésicos amplamente utilizados durante a pandemia.


Justificativas do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde aponta cinco principais motivos para a incineração:

  • Flutuações na demanda por doenças

  • Mudanças epidemiológicas

  • Aquisições por decisão judicial

  • Atualizações de protocolos clínicos

  • Avarias ou não conformidade técnica

A pasta afirmou que medicamentos incinerados por não conformidade técnica são repostos ou ressarcidos, conforme cada contrato. No entanto, não informou se houve estorno no caso das vacinas e itens adquiridos por judicialização que estavam dentro do prazo de validade.


Auditoria da CGU apontou falhas na gestão

Após reportagens sobre o volume recorde de descarte, a Controladoria-Geral da União (CGU) realizou auditoria e apontou descontrole na aquisição e fornecimento de insumos.

Entre as recomendações feitas ao ministério estão:

  • Definir percentual aceitável de perdas

  • Aperfeiçoar sistemas de controle

  • Criar procedimentos padronizados de registro

  • Melhorar comunicação com estados e municípios

  • Ampliar monitoramento de estoques

Segundo o ministério, as recomendações já foram cumpridas ou estão em fase final de implementação.


Meta é reduzir perdas em 2026

De acordo com a pasta, medidas como modernização digital, criação de sala de situação, compras com entregas parceladas e uso de modelos preditivos ajudaram a reduzir a taxa de incineração para 1,48% em 2025.

A meta pactuada com órgãos de controle é alcançar 1% em 2026.

Referência: Metropoles