Ministério da Saúde incinera vacinas e medicamentos e descarta R$ 108 milhões em 2025
O Ministério da Saúde incinera vacinas e medicamentos que somaram R$ 108,4 milhões em 2025. Desse total, 17,1% o equivalente a R$ 18,5 milhões ainda estavam dentro do prazo de validade no momento do descarte.
Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo a pasta, a taxa de incineração correspondeu a 1,48% do estoque total no ano. A meta para 2026 é reduzir esse percentual para 1%.
Apesar de ter havido redução em relação aos anos anteriores, o montante continua acima dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19.
Medicamentos de alto custo e vacinas entre os itens descartados
Entre os produtos incinerados estão medicamentos de alto custo e insumos hospitalares. Casos chamam atenção, como:
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Blinatumomabe (R$ 141.929,07 por unidade), usado no tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda
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Brentuximabe vedotina (R$ 88.905,59 por unidade), indicado contra linfomas
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Vacinas contra dengue
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Tratamentos para doenças raras
Também foram descartados dois kits de monitoramento de glicose que venceriam apenas em dezembro de 2050.
R$ 2 bilhões incinerados no atual governo
Nos três primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministério já incinerou aproximadamente R$ 2 bilhões em vacinas, medicamentos e insumos.
O valor é 3,3 vezes superior ao total registrado durante todo o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, que somou R$ 601,5 milhões.
O pico da série histórica ocorreu em 2023, quando o descarte atingiu R$ 1,3 bilhão, incluindo imunizantes contra a Covid-19 e anestésicos amplamente utilizados durante a pandemia.
Justificativas do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde aponta cinco principais motivos para a incineração:
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Flutuações na demanda por doenças
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Mudanças epidemiológicas
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Aquisições por decisão judicial
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Atualizações de protocolos clínicos
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Avarias ou não conformidade técnica
A pasta afirmou que medicamentos incinerados por não conformidade técnica são repostos ou ressarcidos, conforme cada contrato. No entanto, não informou se houve estorno no caso das vacinas e itens adquiridos por judicialização que estavam dentro do prazo de validade.
Auditoria da CGU apontou falhas na gestão
Após reportagens sobre o volume recorde de descarte, a Controladoria-Geral da União (CGU) realizou auditoria e apontou descontrole na aquisição e fornecimento de insumos.
Entre as recomendações feitas ao ministério estão:
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Definir percentual aceitável de perdas
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Aperfeiçoar sistemas de controle
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Criar procedimentos padronizados de registro
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Melhorar comunicação com estados e municípios
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Ampliar monitoramento de estoques
Segundo o ministério, as recomendações já foram cumpridas ou estão em fase final de implementação.
Meta é reduzir perdas em 2026
De acordo com a pasta, medidas como modernização digital, criação de sala de situação, compras com entregas parceladas e uso de modelos preditivos ajudaram a reduzir a taxa de incineração para 1,48% em 2025.
A meta pactuada com órgãos de controle é alcançar 1% em 2026.
Referência: Metropoles