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Boa Vista - RR, 16 de fevereiro de 2026 as 19:33

Carnaval: metanol em bebidas liga sinal de alerta nos estados

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O consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol acendeu o alerta das autoridades sanitárias em diversos estados brasileiros neste Carnaval. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2025 o país confirmou 76 casos de intoxicação por metanol associados à ingestão de bebidas alcoólicas. Outras 29 ocorrências seguem em investigação. No mesmo período, foram registrados 25 óbitos confirmados e oito ainda estão sendo apurados. Em 2026, até 3 de fevereiro, já são sete casos confirmados e 13 sob investigação.

São Paulo concentra maior número de casos

São Paulo é o estado mais atingido. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) confirmou 52 casos, com 12 mortes. Há ainda quatro óbitos em investigação, registrados em Guariba, São José dos Campos e Cajamar.

O Centro de Vigilância Sanitária coordena ações com as Vigilâncias Municipais para intensificar a fiscalização em bares, ambulantes e estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas. A orientação é clara: adquirir apenas produtos de procedência conhecida, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal.

Pernambuco

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou oito casos de intoxicação, incluindo cinco mortes entre outubro e novembro de 2025.

A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) pretende ultrapassar 500 inspeções durante o período carnavalesco, fiscalizando bares, camarotes, restaurantes e comércio ambulante.

Bahia

Na Bahia, foram confirmados nove casos, com três mortes. A Secretaria da Saúde (Sesab), em parceria com o Ministério da Saúde, reforçou os estoques do antídoto utilizado no tratamento da intoxicação por metanol e orientou os municípios a intensificarem a fiscalização.

Paraná

O Paraná confirmou seis casos, sendo três com evolução para óbito. A Sala de Situação sobre intoxicação por metanol foi encerrada em novembro de 2025.

Mato Grosso

Em Mato Grosso, foram seis casos confirmados e quatro mortes entre novembro e dezembro de 2025. Mesmo sem novos registros recentes, o estado mantém ações reforçadas de vigilância.

Rio de Janeiro aposta em laboratório móvel

O Rio de Janeiro não registrou casos ou mortes por metanol, mas reforçou a fiscalização. A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon atuam com o Laboratório Itinerante do Consumidor, que realiza testes em tempo real para identificar bebidas falsificadas durante blocos e eventos no Sambódromo.

Em ações recentes, cerca de 26 litros de bebidas falsificadas foram apreendidos.


O que é o metanol e por que é perigoso?

O metanol é um tipo de álcool extremamente tóxico. Diferentemente do etanol (álcool comum), ele é metabolizado pelo organismo em substâncias altamente nocivas, capazes de provocar:

  • Cegueira irreversível

  • Acidose metabólica grave

  • Insuficiência renal

  • Convulsões e coma

  • Morte

Segundo o patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, os sintomas podem surgir entre 6 e 24 horas após a ingestão — e, em alguns casos, até 48 horas depois — o que pode confundir a vítima com uma “ressaca forte”.


Sinais e sintomas de alerta

Até 6 horas após ingestão:

  • Dor abdominal intensa

  • Náuseas e vômitos

  • Tontura e sonolência

  • Confusão mental

  • Queda de pressão

Entre 6 e 24 horas:

  • Visão turva ou embaçada

  • Sensibilidade à luz

  • Perda da visão das cores

  • Convulsões

  • Coma

As alterações visuais são consideradas um dos principais sinais de intoxicação por metanol e não devem ser ignoradas.


Recomendações para os foliões

  • Consumir apenas bebidas de procedência conhecida

  • Evitar produtos vendidos em garrafas pet ou recipientes inadequados

  • Desconfiar de preços muito abaixo do mercado

  • Verificar rótulo, lacre e selo fiscal

  • Procurar atendimento médico imediato diante de sintomas incomuns

O Ministério da Saúde orienta que não se espere a confirmação laboratorial para iniciar o tratamento, pois a rapidez no atendimento pode ser decisiva para evitar sequelas graves ou morte.

Neste Carnaval, a palavra de ordem é prevenção: beber com responsabilidade e atenção pode salvar vidas.

Redação