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Boa Vista - RR, 5 de fevereiro de 2026 as 19:38

Último tratado nuclear entre EUA e Rússia chega ao fim

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Expiração do Novo START encerra restrições sobre arsenais e eleva alerta global sobre riscos nucleares


O último tratado de não proliferação nuclear entre Estados Unidos e Rússia, o Novo START, expirou oficialmente nesta quinta-feira (5), marcando uma mudança significativa no controle de armamentos estratégicos desde o fim da Guerra Fria. O acordo deixou de vigorar à 0h (horário GMT)  21h de quarta-feira em Brasília  liberando formalmente as duas maiores potências nucleares do mundo de limites e mecanismos de verificação mútua.

Firmado originalmente em 2010, o Novo START estabelecia um teto de 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas para cada país, o que representou uma redução de quase 30% em relação ao limite definido em 2002. Além disso, o tratado permitia inspeções presenciais nos arsenais, mecanismo considerado essencial para a transparência e a confiança entre as partes. Essas inspeções, no entanto, estavam suspensas desde 2023.

A expiração do acordo foi classificada pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, como “um momento sério para a paz e a segurança internacionais”. Em comunicado, ele alertou que o fim do tratado ocorre em um cenário delicado, no qual o risco do uso de armas nucleares é considerado o mais elevado em décadas. Guterres também fez um apelo para que Washington e Moscou retomem o diálogo e construam, com urgência, um novo marco para o controle de armamentos estratégicos.

Rússia e Estados Unidos concentram, juntos, mais de 80% das ogivas nucleares existentes no mundo, o que torna o fim do Novo START um fator de preocupação global. Nas últimas décadas, diversos acordos de controle de armas perderam vigência ou eficácia, reduzindo os instrumentos internacionais voltados à limitação da corrida armamentista.

Em setembro de 2025, o presidente russo Vladimir Putin chegou a propor aos Estados Unidos a prorrogação do tratado por mais um ano. A sugestão foi considerada positiva pelo então presidente americano Donald Trump, mas não avançou para negociações formais.

Na véspera do vencimento, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou oficialmente que o país não está mais vinculado a quaisquer obrigações previstas no acordo. Em coletiva de imprensa, o assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, afirmou que Moscou pretende agir com “prudência e responsabilidade” diante do novo cenário, mas reforçou que a Rússia permanece aberta ao diálogo para garantir a estabilidade estratégica global.

O fim do Novo START deixa, pela primeira vez em mais de cinco décadas, Estados Unidos e Rússia sem qualquer tratado ativo que limite seus arsenais nucleares, aumentando a incerteza sobre o futuro da segurança internacional.

Referência: Jovem Pan