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Boa Vista - RR, 9 de maio de 2026 as 13:18

Caso do cão Orelha choca SC e gera comoção nacional

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Cachorro comunitário de Florianópolis morreu após agressões atribuídas a adolescentes; polícia investiga maus-tratos e possíveis coações

A morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em Florianópolis, Santa Catarina, provocou forte comoção popular e reacendeu o debate sobre maus-tratos contra animais no Brasil. O cachorro, de aproximadamente 10 anos, vivia na região da Praia Brava e era cuidado de forma espontânea por moradores e frequentadores do bairro, tornando-se um símbolo de convivência e afeto da comunidade local.

Segundo informações da Polícia Civil de Santa Catarina, Orelha foi brutalmente agredido no início de janeiro por um grupo de adolescentes. As agressões teriam ocorrido no dia 4, mas o animal só foi socorrido no dia seguinte, após moradores encontrarem o cachorro ferido e o encaminharem para atendimento veterinário. Exames periciais apontaram que Orelha sofreu um forte golpe na cabeça, causado por um objeto sólido que não foi localizado.

Devido à gravidade das lesões e ao sofrimento do animal, a equipe veterinária optou pela eutanásia como medida humanitária. A Polícia Civil foi oficialmente comunicada sobre o caso apenas no dia 16 de janeiro, dando início às investigações por meio da Delegacia de Proteção Animal (DPA) e da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle).

Na segunda-feira (26), as autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão nas residências dos adolescentes suspeitos e de seus responsáveis legais. Também foram realizadas diligências em endereços ligados a adultos investigados por possível coação de testemunhas. Ao todo, a polícia ouviu mais de 20 pessoas e analisou cerca de 72 horas de imagens captadas por 14 câmeras de monitoramento, públicas e privadas.

As investigações identificaram quatro adolescentes suspeitos de participação direta nas agressões. Além do caso de Orelha, outro cão comunitário da região, conhecido como Caramelo, também teria sido vítima do grupo. Segundo a polícia, o animal foi jogado ao mar, mas conseguiu escapar e acabou sendo adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.

Em entrevista, Ulisses Gabriel informou que dois dos adolescentes suspeitos estão nos Estados Unidos em uma viagem previamente programada e devem retornar ao Brasil nos próximos dias. Por se tratarem de menores de idade, a identidade dos envolvidos não foi divulgada, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Desde que o caso ganhou repercussão nacional, pessoas sem ligação com o crime passaram a ser alvo de ataques e ameaças nas redes sociais. Um casal citado indevidamente registrou boletim de ocorrência, e a polícia alerta para a importância de não disseminar informações falsas, reforçando que a responsabilização ocorre exclusivamente no âmbito judicial.

Referência: Joven pan