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Boa Vista - RR, 3 de fevereiro de 2026 as 22:55

Covid recua após 5 anos de vacinação, mas segue em alerta

IA

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Mesmo fora do status de pandemia, doença ainda causou 1,7 mil mortes em 2025 e especialistas reforçam a importância da vacinação

Cinco anos após o início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, a doença deixou de ser considerada uma pandemia, mas ainda representa um risco significativo à saúde pública. Embora os números atuais sejam muito inferiores aos registrados nos anos mais críticos, especialistas alertam que o coronavírus continua circulando e pode provocar surtos, especialmente em um cenário de baixa cobertura vacinal.

Em 2025, o Brasil registrou cerca de 10.410 casos graves de covid-19, classificados como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo dados da plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Desse total, aproximadamente 1,7 mil pessoas morreram após a infecção. Os números consideram apenas casos confirmados por teste laboratorial e ainda podem ser revisados, já que parte dos registros é inserida de forma tardia no sistema de vigilância.

Apesar da disponibilidade de vacinas, a adesão da população está aquém do esperado. Em 2025, o Ministério da Saúde distribuiu 21,9 milhões de doses aos estados e municípios, mas menos de 40% desse total foi aplicado. Para especialistas, essa baixa cobertura contribui diretamente para a manutenção de casos graves e óbitos evitáveis.

O coordenador do Infogripe, Leonardo Bastos, destaca que o coronavírus segue entre os vírus respiratórios mais preocupantes. Segundo ele, a experiência traumática da pandemia acabou distorcendo a percepção atual da gravidade da doença. Já a pesquisadora Tatiana Portella ressalta que a covid-19 não apresenta um padrão sazonal definido, o que significa que novas ondas podem surgir a qualquer momento, especialmente com o aparecimento de variantes mais transmissíveis.

Desde 2024, a vacina contra a covid-19 faz parte do calendário básico de imunização para crianças, idosos e gestantes, além de esquemas específicos para grupos prioritários. Ainda assim, cumprir esse calendário tem sido um desafio. Em 2025, apenas 3,49% das crianças menores de um ano receberam a vacina, de acordo com o painel público de vacinação, embora o Ministério da Saúde reconheça que os dados atuais subestimam a cobertura real.

A baixa percepção de risco é apontada como uma das principais causas da queda na vacinação, especialmente entre crianças. No entanto, dados reforçam a gravidade da doença nesse público: crianças com menos de dois anos estão entre os grupos mais vulneráveis, atrás apenas dos idosos. Entre 2020 e 2025, foram registrados quase 20,5 mil casos graves nessa faixa etária, com 801 mortes.

Por outro lado, estudos comprovam a eficácia e a segurança das vacinas. Pesquisas mostram redução significativa de casos graves entre crianças vacinadas, além de baixa incidência de eventos adversos. Para especialistas, ampliar a cobertura vacinal depende, sobretudo, do engajamento dos profissionais de saúde e do combate à desinformação.

Referência : Agencia Brasil