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Boa Vista - RR, 30 de março de 2026 as 06:52

Especialistas alertam para sinais de alerta no consumo de álcool

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Brasil registra mortes e internações crescentes ligadas ao álcool; mudanças de comportamento e dependência funcional indicam excesso e risco à saúde.

O consumo de bebidas alcoólicas faz parte da rotina social de muitos brasileiros, mas os efeitos desse hábito têm gerado preocupações crescentes entre especialistas da saúde mental e autoridades sanitárias. Dados recentes mostram que o alcoolismo é responsável por 10,5% das mortes relacionadas ao álcool no país, provocando em média 21 óbitos por dia, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2022 e 2023, as hospitalizações por alcoolismo aumentaram 2,8%, o equivalente a cerca de quatro internações por hora.

As informações compõem o anuário “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, elaborado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) com base em dados do DataSUS e do IBGE. De acordo com o levantamento, 11 estados registram taxas de mortalidade acima da média nacional e oito superam os índices médios de internações relacionadas ao transtorno.

Para especialistas, um dos principais desafios é reconhecer quando o uso deixa de ser social e passa a ser um padrão de risco. Isso costuma ocorrer quando a ingestão se torna frequente e automática, sem relação com lazer ou convívio social. Há também casos em que o indivíduo tenta reduzir o consumo, mas não consegue, ou passa a utilizar o álcool como estratégia para relaxar, dormir ou suportar as demandas diárias.

A psiquiatra Renata Verna, do Hospital Santa Lúcia, explica que esse padrão representa um alerta clínico. “O uso frequente deixa de ser social quando o álcool já não está ligado a uma escolha prazerosa, mas a uma necessidade. A pessoa bebe para funcionar, aliviar ansiedade ou lidar com insônia, mesmo antes de um diagnóstico formal de dependência”, afirma.

Antes que surjam danos físicos, o excesso costuma se manifestar no comportamento. Irritabilidade, variações de humor, afastamento de amigos, conflitos familiares, faltas no trabalho, lapsos de memória e tentativas de esconder a quantidade ingerida são sinais frequentemente relatados.

Embora a dose consumida seja um parâmetro importante, os especialistas alertam que mudanças nas relações sociais funcionam como indicadores igualmente relevantes. Segundo a psicóloga Lidiane Silva, de Campos dos Goytacazes, “a bebida começa a interferir nas escolhas, nas interações e no rendimento, mesmo quando a pessoa acredita ter controle”.

Buscar apoio psicológico ou psiquiátrico no início do processo pode evitar a evolução para quadros graves e reduzir danos físicos e emocionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que não há consumo totalmente seguro de álcool.

Redação

Referência: https://www.metropoles.com/saude