Plantando informação de qualidade.

Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 11:57

Exercício físico desponta como aliado contra a depressão

Direitos de autor Frank Augstein

Compartilhe:

Revisão científica indica que atividade física pode reduzir sintomas depressivos com eficácia semelhante a tratamentos convencionais.

Um novo conjunto de evidências científicas reforça o papel do exercício físico como uma ferramenta importante no combate à depressão. Uma revisão conduzida pela organização de pesquisa Cochrane analisou 73 ensaios clínicos envolvendo cerca de 5 mil adultos diagnosticados com depressão e concluiu que a prática regular de atividade física pode reduzir sintomas depressivos com uma eficácia comparável à de tratamentos tradicionais, como psicoterapia e medicamentos.

Os pesquisadores observaram melhoras em sintomas frequentemente associados ao transtorno, incluindo fadiga, tristeza persistente, insônia e sensação de desesperança. Para o professor Andrew Clegg, da Universidade de Lancashire e autor principal da pesquisa, a constatação reforça que o exercício representa uma estratégia segura, acessível e muitas vezes mais fácil de integrar ao cotidiano de pacientes. Segundo ele, é fundamental que os tratamentos para depressão considerem alternativas que as pessoas estejam dispostas a adotar e capazes de manter a longo prazo.

Apesar do otimismo, os especialistas ressaltam que o campo ainda carece de estudos de grande porte e longa duração. A maioria dos ensaios avaliados incluiu menos de 100 participantes e não permite medir com precisão a persistência dos benefícios ao longo dos anos. Ainda assim, os resultados chegam em um momento crítico, já que a depressão é considerada a principal causa de incapacidade no mundo e afeta mais de 280 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A revisão também investigou se algum tipo de atividade física seria mais eficaz do que outro, mas não encontrou diferenças marcantes. Programas que combinam exercícios aeróbicos e de resistência se mostraram levemente mais vantajosos, e atividades de intensidade leve a moderada foram mais bem toleradas do que treinos vigorosos. O número de sessões também parece fazer diferença: pessoas que completaram entre 13 e 36 sessões relataram maior redução nos sintomas.

O uso do exercício como tratamento para depressão não é novidade na prática clínica. Diretrizes de diversos países, como Reino Unido, Canadá e membros da União Europeia, já recomendam o recurso, especialmente para casos leves e moderados. Para quadros mais severos, a atividade costuma ser indicada como complemento ao tratamento medicamentoso e psicoterapêutico.

Embora ainda existam lacunas científicas, a mensagem da nova análise é clara: o exercício se consolida como uma alternativa viável para parte dos pacientes, ampliando o leque de opções e oferecendo uma ferramenta com baixo custo e benefícios adicionais para a saúde física.

Redação

Referência: https://pt.euronews.com/saude/