Plantando informação de qualidade.

Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 18:16

Brasil encerra custódia de embaixada argentina na Venezuela

Leonardo Fernandez Viloria/Getty Images

Compartilhe:

Decisão ocorre após desalinhamento entre Lula e Milei e encerra missão diplomática iniciada em 2024 a pedido da Argentina.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou à Argentina que deixará de administrar a embaixada do país em Caracas, na Venezuela. Segundo fontes diplomáticas, a notificação ao Executivo de Javier Milei ocorreu na quinta-feira (8/1), enquanto a gestão da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, foi comunicada um dia depois.

A medida encerra uma missão extraordinária que teve início em agosto de 2024, quando o Brasil assumiu a representação diplomática argentina após Caracas ordenar a saída de equipes de ao menos cinco nações que se recusaram a reconhecer a reeleição de Nicolás Maduro. Desde então, a bandeira brasileira foi hasteada no prédio da Embaixada da Argentina e servidores brasileiros ficaram responsáveis pela custódia, segurança e funcionamento básico da estrutura.

De acordo com membros da diplomacia brasileira, a retirada se dá em um “novo contexto” político no país vizinho e faz parte de uma reorganização da agenda diplomática. A avaliação interna é de que a tarefa atribuída ao Brasil foi cumprida, especialmente em relação à defesa da integridade de opositores venezuelanos. Entre agosto de 2024 e maio de 2025, cinco assessores de María Corina Machado permaneceram asilados na representação argentina por mais de 400 dias, até serem retirados em operação conjunta com os Estados Unidos.

A decisão, porém, ocorre pouco depois de Milei publicar trecho de seu discurso na 67ª Cúpula do Mercosul, realizada em dezembro de 2025, no qual associou Lula ao regime chavista. O presidente argentino editou vídeos com imagens de Lula ao lado de Maduro e classificou o governo venezuelano como uma “ditadura atroz e inumana”. Milei também elogiou a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do líder venezuelano e de sua esposa, enquanto Lula condenou a ação e reforçou a defesa de uma saída pacífica para a crise.

O episódio evidencia o distanciamento entre os dois presidentes, que têm visões opostas sobre o papel das potências estrangeiras, o futuro do Mercosul e a condução das tensões na Venezuela. Analistas sugerem que o Brasil busca evitar que disputas bilaterais interfiram em sua agenda regional, ao mesmo tempo em que tenta preservar canais diplomáticos com Caracas.

Fonte: Metropoles