Aprovação europeia destrava o tratado, mas ratificações internas e disputas políticas ainda podem prolongar o cronograma.
Depois de mais de um quarto de século de negociações diplomáticas, o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul entrou em uma etapa considerada decisiva. A aprovação por maioria qualificada no Conselho Europeu, ocorrida nesta sexta-feira (9), representou o primeiro sinal verde institucional desde que o texto foi consolidado entre os blocos. Apesar do avanço, o movimento não implica vigência imediata: o tratado ainda depende de um complexo processo de ratificação política e técnica, tanto na Europa quanto nos países sul-americanos.
No lado europeu, o texto seguirá para a Comissão Europeia e para o Parlamento Europeu, que terão de formalizar a adesão política. Pelo caráter “misto” do tratado envolvendo comércio, regulação e temas ambientais existe a possibilidade de parlamentos nacionais serem chamados a se manifestar, o que amplia o espaço para pressões internas. Setores agrícolas e grupos ambientalistas são considerados os principais focos de resistência e podem exercer influência sobre governos e legisladores, especialmente em países como França e Irlanda.
Entre os membros do Mercosul, o acordo é percebido como uma oportunidade estratégica. Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai ainda precisarão aprovar internamente o texto, processo que tende a envolver debates entre segmentos industriais, agrícolas e sindicais. Governos da região defendem que o tratado pode ampliar exportações agroindustriais, abrir mercado para bens e serviços e reduzir incertezas tarifárias. Por outro lado, setores industriais temem um aumento da concorrência, enquanto sindicatos citam impactos sobre empregos e competitividade.
Diplomatas avaliam que, em um cenário otimista, o ciclo de ratificações poderia ser concluído ao longo de 2026, embora analistas ressaltem que o calendário eleitoral na Europa e na América do Sul pode alterar o ritmo das negociações. Caso o acordo entre definitivamente em vigor, ele prevê redução gradual de tarifas, regras ambientais mais robustas, abertura comercial, mecanismos de solução de controvérsias e salvaguardas para setores sensíveis. Para o Mercosul, o principal ganho seria maior acesso ao mercado europeu; para a UE, oportunidades ampliadas em bens industriais e serviços.
Fonte: Jovem Pan