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Boa Vista - RR, 25 de junho de 2026 as 06:49

Milhões protestam no Irã e crescem tensões com o regime

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Manifestações em mais de 100 cidades desafiam governo, internet é cortada e dezenas morrem em confrontos com forças de segurança

O Irã vive um dos maiores levantes populares das últimas décadas, com milhões de pessoas tomando as ruas de dezenas de cidades do país em protestos que pedem mudanças profundas no regime e, em muitos casos, a derrubada da liderança clerical. As manifestações, que começaram no final de dezembro e se intensificaram nesta semana, se espalharam por todas as 31 províncias iranianas e são amplamente consideradas a mais grave crise política interna desde 2022.

O levante ganhou novo fôlego após um chamado do príncipe exilado Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, que conclamou a população a se reunir nas ruas em uma série de protestos consecutivos. Sob a grave crise econômica, com inflação elevada e perda de valor do rial, multidões saíram às ruas em cidades como Teerã, Mashhad e várias outras regiões urbanas e rurais.

Em resposta, as autoridades iranianas impuseram um apagão total de internet e interrupções significativas nas comunicações, medida que dificulta a verificação independente da extensão dos protestos e busca conter a coordenação dos manifestantes. Grupos de monitoramento de conectividade indicam que o país foi praticamente isolado em termos digitais, com quedas abruptas em serviços de internet e telefonia.

Os protestos frequentemente incluem slogans contra o Governo e o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, com relatos de confrontos violentos entre civis e forças de segurança. Fontes de direitos humanos e mídia internacional relatam dezenas de mortos e milhares de detidos desde o início das mobilizações, embora dados oficiais sejam escassos.

A reação do governo tem sido dura. Khamenei, em pronunciamento televisionado, acusou os manifestantes de agir em benefício de potências estrangeiras e prometeu medidas enérgicas contra o que descreveu como “agentes que corrompem as ruas” e “mercenários”. As autoridades estatais, em suas transmissões, também atribuíram a violência a “elementos estrangeiros”, embora não apresentem evidências independentes.

Do lado externo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo de Teerã será responsabilizado se os protestos forem reprimidos com violência extrema, repetindo alertas anteriores de apoio diplomático aos manifestantes e condenação de abusos de direitos humanos.

A situação no Irã continua evoluindo rapidamente, com grande impacto político, econômico e social para o país e possíveis desdobramentos importantes nas relações internacionais e na estabilidade regional.

Redação

Referência: https://www.independent.co.uk/?CMP=ILC-refresh