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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 22:23

Míssil russo com poder nuclear é lançado na Ucrânia

Stringer/Anadolu via Getty Images

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Ataque com míssil Oreshnik atingiu Lviv e foi interpretado por Kiev como ameaça nuclear. Kremlin confirmou a operação e reforçou pressões na mesa diplomática.

A Ucrânia denunciou, nesta quinta-feira (8/1), que a Rússia lançou um míssil com capacidade nuclear contra a cidade de Lviv, no oeste do país. Segundo a Força Aérea ucraniana, o artefato teria sido disparado a partir de uma base utilizada por Moscou para testes nucleares. A informação foi divulgada horas antes da confirmação oficial do Kremlin, que classificou a operação como um ataque “maciço” com armamento de precisão e longo alcance.

A explosão foi registrada na região de Lviv, localizada a cerca de 100 quilômetros da fronteira com a Polônia, país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Não havia, até o encerramento desta edição, relatos oficiais de vítimas. Para autoridades militares de Kiev, o ataque representa um recado estratégico de Moscou sobre sua capacidade nuclear e o poder de dissuasão no conflito.

O Ministério da Defesa da Rússia confirmou o uso do míssil Oreshnik, um dos sistemas balísticos mais avançados do arsenal russo. A pasta afirmou que o ataque foi realizado com armas convencionais, mas ressaltou que o Oreshnik é um míssil de alcance intermediário e apto ao emprego de ogivas nucleares. A Ucrânia pretende investigar a área atingida para determinar o tipo de carga utilizado.

Não é a primeira vez que o míssil é usado no conflito. Em 2024, um ataque semelhante partiu da mesma base russa. Analistas militares interpretam a ação como um esforço de Moscou para elevar os custos diplomáticos e militares do Ocidente sem ultrapassar, por ora, o limite do emprego nuclear real.

O lançamento ocorre no momento em que conversas sobre um possível acordo de paz avançam entre Ucrânia, Estados Unidos e países europeus. Apesar das negociações, o Kremlin mantém exigências consideradas inaceitáveis por Kiev, como a retirada de tropas ucranianas de áreas ainda controladas em Donetsk e garantias de que o país não ingressará na Otan. Para o presidente Vladimir Putin, a neutralidade ucraniana e o reconhecimento das alterações territoriais desde 2014 são condições fundamentais para qualquer acordo. Em dezembro, Putin declarou que seus objetivos seriam alcançados “pela diplomacia ou pela força”.

Horas após o bombardeio em Lviv, Kiev sofreu novo ataque, desta vez por drones russos. O prefeito Vitali Klitschko afirmou que ao menos quatro pessoas morreram e 19 ficaram feridas.

Fonte: Metropoles