Crianças entre 6 e 11 anos e jovens entre 12 e 17 anos que utilizam o serviço de cantina escolar têm maior probabilidade de acessar mais informações sobre alimentação saudável. Mas não só: eles comem com menos distrações, já que não assistem televisão enquanto fazem isso. Estas são duas das conclusões de um estudo realizado pela Ipsos sobre a alimentação infantil.
A Ipsos realizou este estudo em colaboração com a Sociedade Espanhola de Nutrição e a Universidade Politécnica de Madri, por meio de seu grupo de pesquisa em Alimentação, Nutrição, Exercício e Estilo de Vida Saudável (ImFINE). O objetivo: um raio-X da dieta de crianças e jovens e o uso de cantis escolares.
Conforme relatado pela própria Ipsos em comunicado à imprensa, este trabalho foi coordenado pelo Dr. Rafael Urrialde, PhD em Ciências Biológicas e especialista universitário em Ciências Ambientais da Universidade Complutense de Madri, e pela Dra. Marcela González-Gross, professora de Nutrição e Fisiologia do Exercício na Faculdade de Ciências da Atividade Física e do Esporte-INEF da Universidade Politécnica de Madri.
Nele, foram encontradas várias diferenças no consumo relacionadas aos locais onde meninos e meninas comem, seja na cafeteria da escola ou em casa.
Para isso, analisa seis momentos de consumo diário de alimentos e bebidas. A Ipsos destaca que essas informações são cruciais para o desenvolvimento de estratégias e projetos que respondam às necessidades reais de crianças e jovens.
Principais resultados do estudo
Após a realização do estudo, estes foram os resultados obtidos:
1- Uso da cantina escolar como fator de condicionamento para o comportamento alimentar. De acordo com o relatório, apresentado há alguns dias em Madri, o comportamento alimentar é muito diferente entre o grupo de 6 a 11 anos e o grupo de 12 a 17 anos. No primeiro é mais comum que comam na escola, mas não no segundo. Assim, seria na população a partir dos 6 anos de idade, onde a cantina escolar desempenha um papel mais claro como fator de condicionamento.
2- Quantidade de consumo e ingestão de nutrientes que a criança ingere ao longo do dia. Observa-se que as crianças que comem as principais refeições do dia na escola são aquelas que fazem cinco refeições diárias, especificamente 81% contra 73%.
3- Número de refeições por dia: entre as faixas etárias, também se observa que, à medida que crescem, as crianças reduzem os momentos de consumo de alimentos e bebidas: 84% dos mais novos fazem cinco refeições por dia, mas no grupo com mais de 12 anos de idade é 66%.
“Essa diferença se deve principalmente à supressão do horário de consumo e lanches no meio da manhã entre os idosos”, aponta o estudo.
Por outro lado, quanto a uma possível sexta consumo, aquela que ocorre antes de dormir, é mais comum no grupo mais velho. Assim, 17% dos maiores de 12 anos que frequentam a cantina escolar comem algo antes de dormir, em comparação com 9% dos que não comem.
Urrialde enfatiza a esse respeito, em declarações coletadas pela declaração da Ipsos, que “foi uma surpresa descobrir que 30% do grupo total consome algo antes de dormir”.
“Acreditamos que esse número deveria ser menor. É algo que precisamos analisar porque não sabemos se esse momento de consumo é realmente necessário, e qual pode ser sua relação com as taxas de subpeso ou obesidade”, ele enfatiza.
4- Não há grandes diferenças em termos da percepção da própria comida. 48% das crianças pequenas consideram que comem uma alimentação saudável; Da mesma forma, 45% dos idosos acham que sua dieta também é boa, sem grandes diferenças neste caso entre quem vai ou não à cantina.
Televisão e a influência do estilo de vida
O consumo de televisão desempenha um papel importante no estudo porque, como regra, as crianças, enquanto comem, assistem televisão.
Especificamente, 29% das crianças espanholas assistem TV todos os dias em casa em todas as refeições, um número que cai ligeiramente para 27% entre os de 6 a 11 anos, mas sobe para 32% entre os idosos. Por sua vez, quase a mesma porcentagem (28%) diz que nunca come com a TV ligada.
Urrialde aconselha a não assistir televisão durante as refeições “sob nenhuma circunstância”. “Idealmente, não deveria haver telas, mas diálogo, pausas e o prazer da comida e do tempo compartilhado, elementos essenciais incluídos na base da pirâmide da Dieta Mediterrânea.”
Segundo o especialista, “é surpreendente ver como, na cantina escolar, as crianças aprendem a comer sem telas, mas esse hábito se perde em casa quando ligam a televisão.” González-Gross insiste: “Temos que transmitir a mensagem da comida sem telas”.

A importância do esporte
Outro aspecto em que o estudo para é na prática dos esportes. O maior impacto é observado na faixa etária de 6 a 11 anos, onde 80% das crianças que usam a cantina escolar praticam esportes, em comparação com 68% das que não praticam.
Em pessoas mais velhas, essa diferença é menor, 79% contra 72%, mas ainda favorece quem come na escola, sugerindo que a conscientização sobre hábitos alimentares educacionais pode influenciar os estilos de vida.
“Comportamentos saudáveis tendem a se reforçar mutuamente. Aqueles que praticam atividade física regularmente mostram menos tendência a consumir tabaco ou álcool e mantêm uma dieta mais equilibrada”, diz González-Gross. “Eles também são mais receptivos a entender que a saúde não depende de um único hábito, mas de todos eles”, conclui ele.
Fonte: efesalud.com