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Boa Vista - RR, 24 de março de 2026 as 16:50

Junta diz ter frustrado plano para matar líder de Burkina Faso

Anadolu/Getty Images

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Autoridades acusam ex-presidente deposto de liderar conspiração com apoio estrangeiro para assassinar o capitão Ibrahim Traoré

As autoridades militares de Burkina Faso anunciaram ter frustrado um plano para assassinar o atual líder do país, o capitão Ibrahim Traoré. A informação foi divulgada em um pronunciamento noturno pelo ministro da Segurança, Mahamadou Sana, que classificou a conspiração como “sofisticada” e afirmou que ela visava não apenas o chefe de Estado, mas também outras instituições estratégicas e figuras civis de destaque.

Segundo o governo, o plano teria sido organizado pelo tenente-coronel Paul Henri Damiba, antigo líder do país deposto por Traoré em setembro de 2022. De acordo com Sana, os serviços de inteligência conseguiram interceptar a operação poucas horas antes de sua execução. O ministro alegou ainda que a conspiração teria contado com financiamento externo, apontando a Costa do Marfim como principal origem dos recursos, acusação que foi feita sem apresentação pública de provas e que ainda não recebeu resposta oficial das autoridades marfinenses.

As autoridades afirmam ter obtido um vídeo vazado no qual os supostos conspiradores discutiriam detalhes do atentado. De acordo com o relato oficial, o grupo planejava matar o presidente na noite de 3 de janeiro, por volta das 23h, seja por meio de um ataque direto ou pela colocação de explosivos na residência presidencial. Após o assassinato, os envolvidos teriam a intenção de atacar outros alvos militares e civis de alto escalão, além de destruir uma base de drones para impedir uma eventual reação das forças leais ao governo.

O ministro da Segurança informou que várias pessoas já foram detidas e que as investigações continuam em curso, embora não tenha sido divulgado o número exato de prisões. Ele garantiu que a situação está sob controle e apelou à população para que não se deixe envolver em “esquemas perigosos” que ameacem a estabilidade do país.

Desde que chegou ao poder, Ibrahim Traoré enfrentou múltiplas tentativas de golpe e governa em um contexto marcado pelo avanço da violência jihadista, que já deslocou milhões de pessoas em Burkina Faso e em países vizinhos do Sahel. Apesar das críticas internacionais sobre autoritarismo, repressão à oposição e restrições à imprensa, Traoré mantém apoio significativo entre a população, impulsionado por um discurso pan-africanista e por críticas contundentes à influência ocidental na região.

O episódio deve agravar ainda mais as tensões políticas internas e regionais. Observadores alertam que acusações de interferência estrangeira e disputas entre facções militares fragilizam a estabilidade de Burkina Faso, país que vive um ciclo recorrente de golpes desde 2022.

Redação

Referência: https://www.bbc.com/