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Boa Vista - RR, 24 de março de 2026 as 21:56

Oito países da NATO defendem Gronelândia em comunicado

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Portugal e mais sete aliados apelam aos EUA para respeitar soberania e fronteiras, após escalada de declarações sobre o território autónomo dinamarquês

Oito países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) divulgaram nesta terça-feira um comunicado conjunto em defesa da Gronelândia e da estabilidade no Ártico, após o endurecimento do discurso dos Estados Unidos em relação ao território autónomo pertencente à Dinamarca. Assinam o documento Portugal, França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca, que classificam a segurança na região ártica como uma “prioridade-chave para a Europa”.

No texto, os governos europeus exortam Washington a respeitar os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, incluindo a soberania dos Estados, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras internacionais. Os signatários lembram ainda que a NATO já definiu o Ártico como uma área estratégica, sublinhando que os aliados europeus têm reforçado a sua presença, atividades e investimentos na região nos últimos anos.

A iniciativa diplomática surge num contexto de crescente tensão, motivado por declarações recentes de responsáveis norte-americanos sobre a Gronelândia. O tema ganhou novo fôlego depois da operação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro, episódio que gerou preocupação em vários países europeus quanto ao respeito pelas normas do direito internacional.

No último fim de semana, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a afirmar que a Gronelândia é essencial para a segurança dos Estados Unidos e indicou que pretende abordar o tema publicamente nas próximas semanas. As declarações provocaram reação imediata em Copenhaga e em Nuuk. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, advertiu que qualquer ataque norte-americano contra a Gronelândia representaria o “fim de tudo”, incluindo a própria NATO e a arquitetura de segurança construída desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Já o primeiro-ministro gronelandês, Jens-Frederik Nielsen, repudiou as ameaças, afirmando que adotará uma postura mais firme diante de Washington, embora tenha defendido a necessidade de restabelecer a cooperação e o diálogo entre as partes. Paralelamente, declarações do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, reforçaram a tensão ao afirmar que a Gronelândia “deveria fazer parte dos Estados Unidos”, posição que classificou como oficial.

A União Europeia manifestou solidariedade total com a Dinamarca e com a Gronelândia, rejeitando qualquer ameaça ou questionamento à soberania do território. Em resposta ao agravamento da situação, a Comissão Parlamentar de Política Externa do Parlamento dinamarquês convocou uma reunião de emergência, com a participação dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, para avaliar os desdobramentos diplomáticos e de segurança.

Redação

Referência: https://www.swissinfo.ch/por/