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Boa Vista - RR, 25 de junho de 2026 as 05:36

Lula ligou para vice de Maduro após captura de Nicolás Maduro

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Contato ocorreu após operação dos EUA; Brasil condena intervenção armada na Venezuela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em contato telefônico com Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela e atual comandante do país, após a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto.

A ligação ocorreu no sábado (3), poucas horas depois da ação americana. Segundo o governo brasileiro, a conversa foi rápida e partiu de Lula, com o objetivo de confirmar as informações divulgadas por Washington sobre a prisão do líder venezuelano.

Durante o contato, Delcy Rodríguez confirmou a captura de Maduro, mas afirmou que ainda não tinha detalhes sobre o local de detenção nem sobre o paradeiro do ex-presidente.

Relações diplomáticas abaladas

Os canais diplomáticos entre Brasil e Venezuela estão fragilizados desde as eleições venezuelanas de julho de 2024, quando Maduro foi reeleito sem apresentar as atas eleitorais, apesar de pedidos formais de diversos países, incluindo o Brasil.

Além disso, o governo Lula atuou contra a entrada da Venezuela no Brics, bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e outros países emergentes, o que aprofundou o distanciamento entre Brasília e Caracas.

Condenação na ONU

Nesta segunda-feira (5), o Brasil condenou formalmente a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela durante reunião do Conselho de Segurança da ONU. O posicionamento foi apresentado pelo embaixador brasileiro junto às Nações Unidas, Sérgio Danese.

Segundo Danese, não é possível aceitar o argumento de que “os fins justificam os meios”, pois esse raciocínio carece de legitimidade e abre precedentes perigosos no sistema internacional.

“Isso concede aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto e até mesmo de ignorar soberanias nacionais”, afirmou.

O embaixador destacou ainda que o mundo multipolar do século XXI não pode ser confundido com áreas de influência, defendendo o respeito ao direito internacional e à soberania dos Estados.

A declaração está alinhada à nota oficial divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Lula no dia da ação militar.

“O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, diz o texto.

Segundo Danese, a aceitação de ações desse tipo pode levar a um cenário de violência, desordem internacional e erosão do multilateralismo.

Redação

Referência: Jovem Pan