Inspeção sanitária ocorrerá em março e é etapa decisiva para abertura do mercado japonês à carne bovina do Brasil
O governo do Japão confirmou que realizará, em março de 2026, uma auditoria sanitária no sistema de produção de carne bovina do Brasil. A informação foi divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e representa um avanço significativo nas negociações para a abertura do mercado japonês aos produtos brasileiros, um objetivo perseguido há décadas pelo setor.
O Brasil é atualmente o maior exportador mundial de carne bovina, mas ainda enfrenta restrições para acessar mercados considerados de alto valor agregado, como o japonês, que possui rigorosos protocolos sanitários e de rastreabilidade. A auditoria faz parte do processo técnico exigido pelas autoridades japonesas para avaliar as condições sanitárias, os controles de saúde animal e os sistemas de inspeção do país.
As negociações ganharam novo impulso no início de 2025, após a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, quando o tema foi tratado como prioridade na agenda bilateral. Desde então, equipes técnicas dos dois países intensificaram os diálogos para alinhar exigências sanitárias e comerciais.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico, a auditoria deverá ter foco inicial nos estados do Sul do Brasil, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A escolha se baseia no histórico sanitário da região, que foi declarada livre de febre aftosa antes de outros estados brasileiros.
A possível concentração da auditoria nesses estados gerou preocupação entre empresas frigoríficas de grandes polos produtores, como São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, responsáveis pela maior parte das exportações nacionais. Juntos, os estados do Sul representam menos de 4% do volume total exportado pelo Brasil, o que poderia limitar o alcance inicial das vendas ao mercado japonês.
Apesar disso, em maio de 2025 o Brasil conquistou um marco importante ao obter da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o status de país livre de febre aftosa sem vacinação. O último registro da doença no território nacional ocorreu em 2006. Embora a febre aftosa não represente risco à saúde humana, ela impacta diretamente a produtividade do rebanho, justificando as exigências sanitárias internacionais.
A auditoria japonesa é vista como um passo estratégico para ampliar a presença da carne bovina brasileira em mercados premium, fortalecendo a imagem sanitária do país e abrindo novas oportunidades comerciais.
Fonte: REUTERS