Guarda Costeira dos EUA persegue terceira embarcação suspeita de burlar sanções internacionais em águas próximas à Venezuela
As tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela voltaram a crescer após a confirmação de que a Guarda Costeira dos Estados Unidos está em “perseguição ativa” a um terceiro petroleiro suspeito de atuar na evasão de sanções impostas a Caracas. A operação ocorre em águas internacionais próximas ao litoral venezuelano e reforça a estratégia norte-americana de endurecer o controle sobre o comércio ilegal de petróleo na região.
Segundo um funcionário do governo dos EUA, a embarcação monitorada integra a chamada “frota escura” venezuelana — conjunto de navios acusados de operar com bandeiras falsas, desligar sistemas de rastreamento e ocultar a origem da carga. O petroleiro estaria sob ordem judicial de apreensão e já havia sido incluído em listas de sanções internacionais.
De acordo com informações divulgadas pelo New York Times, a Guarda Costeira tentou abordar o navio no sábado, mas a tripulação se recusou a cooperar e fugiu em direção ao Oceano Atlântico, mantendo-se em movimento enquanto era acompanhada pelas autoridades americanas. A empresa britânica de gestão de riscos marítimos Vanguard identificou a embarcação como Bella 1, um grande transportador de petróleo bruto que teria como destino final a Venezuela.
O Bella 1 foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA no ano passado, sob a acusação de transportar petróleo em violação às sanções e de possuir vínculos indiretos com o Irã. Na ocasião, autoridades americanas afirmaram que o proprietário registrado do navio teria ligações com estruturas que apoiam a Guarda Revolucionária Islâmica iraniana.
Este é o terceiro caso envolvendo petroleiros suspeitos apenas neste mês. Em 10 de dezembro, a Guarda Costeira apreendeu o navio Skipper, apontado pela procuradora-geral Pam Bondi como responsável por levar petróleo venezuelano sancionado ao Irã. Já no último sábado, agentes americanos embarcaram no petroleiro Centuries, acusado de transportar petróleo da estatal PDVSA, embora o navio não conste formalmente na lista de sanções.
O governo venezuelano reagiu classificando as apreensões como “atos de pirataria”, enquanto Washington sustenta que os recursos do petróleo estariam sendo usados para financiar atividades criminosas e o regime do presidente Nicolás Maduro. O episódio amplia o clima de instabilidade geopolítica no Caribe e pode gerar novos desdobramentos diplomáticos nas próximas semanas.
Redação
Referência: BBC