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Boa Vista - RR, 24 de março de 2026 as 15:01

Venezuela mantém exportações de petróleo apesar de bloqueio

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Governo venezuelano classifica anúncio dos EUA como ameaça e afirma que operações seguem normais, com apoio militar e diplomático

A Venezuela afirmou nesta quarta-feira (17) que a exportação de petróleo da Venezuela segue ocorrendo normalmente, mesmo após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um bloqueio naval direcionado a petroleiros considerados “sancionados” que entrem ou saiam do país. O governo venezuelano reagiu com veemência, classificando a medida como “irracional”, “colonialista” e uma “ameaça grotesca” à soberania nacional.

A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) informou, em nota oficial, que as operações de exportação de petróleo e derivados seguem em plena normalidade. Segundo a companhia, os navios vinculados à estatal continuam navegando com segurança, suporte técnico e garantias operacionais. A PDVSA ressaltou ainda que nenhuma ação externa comprometeu sua capacidade produtiva ou logística, reforçando que o setor permanece funcional apesar das sanções.

Trump declarou que o bloqueio será mantido até que a Venezuela “devolva” petróleo que, segundo ele, teria sido retirado indevidamente dos Estados Unidos. O presidente americano afirmou que as forças navais do país não permitirão a circulação de embarcações que, em sua avaliação, não deveriam operar na região. Washington não reconhece as reeleições do presidente Nicolás Maduro em 2018 e 2024 e o acusa, na Justiça americana, de envolvimento com narcoterrorismo.

Em reação diplomática, Maduro informou ter conversado por telefone com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, a quem relatou o que chamou de escalada de agressões contra seu país. A ONU, por sua vez, afirmou estar empenhada em evitar uma escalada do conflito e fez um apelo público à moderação entre as partes.

O impasse também gerou reações internacionais. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu que a ONU atue para evitar qualquer derramamento de sangue. Já aliados de Caracas, como China, Rússia, Irã e Cuba, manifestaram repúdio às ações americanas.

A maior parte da exportação de petróleo da Venezuela tem como destino a China. Atualmente, o país produz cerca de 1 milhão de barris por dia e projeta alcançar 1,2 milhão até o fim do ano. Analistas alertam que um bloqueio efetivo poderia afetar gravemente a economia venezuelana, embora o impacto dependa da evolução das tensões com Washington. Após o anúncio do bloqueio, os preços internacionais do petróleo registraram alta.

Fonte: https://www.reuters.com