Preso por matar jovem e jogar corpo no rio Cauamé, homem se apresentava como pastor, cantor gospel e jogador amador em Boa Vista
A prisão de Andreson Bezerra de Carvalho, de 46 anos, nesta terça-feira (16), trouxe à tona uma trajetória marcada por contradições. Investigado por matar Ana Paula Oliveira da Silva, de 23 anos, e ocultar o corpo no rio Cauamé, em Boa Vista, o suspeito mantinha nas redes sociais uma imagem pública ligada à fé, à música gospel e ao esporte, enquanto, segundo a polícia, levava uma rotina distante desse discurso.
De acordo com a Polícia Civil de Roraima, o caso, inicialmente tratado como morte por afogamento, evoluiu para a tipificação de feminicídio em Roraima após laudos periciais e diligências investigativas. O corpo da vítima foi encontrado nu e preso a galhadas às margens do rio, circunstância que levantou suspeitas desde os primeiros levantamentos.
Nas redes sociais, Andreson se apresentava como pastor e líder religioso do Ministério Pentecostal Caminho da Salvação, igreja localizada no bairro Pedra Pintada. Em publicações feitas ao longo de 2024, ele aparece ministrando cultos, pregando mensagens religiosas e participando de eventos ligados à comunidade evangélica. Paralelamente, também divulgava apresentações como cantor e músico de pagode gospel, integrando a banda Ministério Só Pra Cristo, onde atuava como vocalista e cavaquinista.
Outro aspecto da vida pública do suspeito envolvia o esporte. Andreson era jogador de futebol amador em Boa Vista, participando de campeonatos locais e da categoria master, destinada a atletas acima de 35 anos. Em postagens, exibiu troféus e registros de partidas, reforçando uma imagem de integração social e convivência comunitária.
No entanto, um relatório da Delegacia Geral de Homicídios aponta uma realidade distinta. Segundo os investigadores, havia uma “dualidade comportamental” entre a imagem religiosa e práticas associadas a ambientes de prostituição e uso de drogas. Mesmo após o desaparecimento da vítima, o suspeito manteve publicações sobre eventos musicais, atitude interpretada como frieza e ausência de remorso.
A investigação também revelou histórico de violência doméstica. Uma ex-companheira, com quem Andreson manteve relacionamento por 13 anos, possuía medida protetiva contra ele e havia sido alvo de ameaças de morte, inclusive registradas em redes sociais. Além das atividades religiosas, musicais e esportivas, o suspeito também trabalhou como vendedor no comércio local e atuava como mototaxista.
O caso segue sob investigação e reacende o debate sobre feminicídio em Roraima, destacando a importância de denúncias, medidas protetivas e atenção aos sinais de violência que podem anteceder crimes graves contra mulheres.
Redação
Referencia: Polícia Civil de Roraima