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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 13:12

Diabetes tipo 5: nova forma da doença é reconhecida

Dragos Condrea via Getty Images)

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Associado à desnutrição infantil, o diabetes tipo 5 foi oficialmente nomeado e pode afetar até 25 milhões de pessoas, sobretudo na África e na Ásia.

Uma forma de diabetes pouco conhecida, descrita pela primeira vez há mais de 70 anos, foi oficialmente reconhecida pela comunidade científica internacional e recebeu o nome de diabetes tipo 5. A condição está associada à desnutrição crônica na infância e pode atingir entre 20 e 25 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente em países da África e da Ásia.

O reconhecimento ocorreu durante uma reunião internacional de especialistas realizada na Índia, no início deste ano, e marca um avanço importante na compreensão da diversidade da doença. Até então, o diabetes era tradicionalmente dividido em três grandes categorias: tipo 1, tipo 2 e diabetes gestacional, além de formas raras relacionadas a causas genéticas ou doenças específicas.

O diabetes tipo 5 se diferencia por não estar ligado nem à autoimunidade, como no tipo 1, nem à resistência à insulina, característica do tipo 2. Segundo especialistas, pessoas com esse tipo da doença geralmente apresentam baixo peso corporal e histórico de subnutrição desde a infância, fator que compromete o desenvolvimento do pâncreas ainda nos primeiros anos de vida.

Nesse cenário, as células responsáveis pela produção de insulina ficam permanentemente enfraquecidas. O organismo até responde à insulina, mas o pâncreas não consegue produzi-la em quantidade suficiente, levando ao aumento dos níveis de glicose no sangue. Essa característica torna o diagnóstico e o tratamento especialmente delicados.

O manejo clínico do diabetes tipo 5 exige cautela, pois o uso excessivo de insulina, combinado à ingestão insuficiente de alimentos  realidade comum em regiões mais pobres pode provocar hipoglicemia grave, uma condição potencialmente perigosa. Por isso, especialistas reforçam a importância de identificar corretamente o tipo de diabetes para garantir o tratamento adequado.

O interesse científico pela condição foi retomado após a publicação do estudo Young-Onset Diabetes in sub-Saharan Africa (YODA), no periódico The Lancet Diabetes & Endocrinology. A pesquisa analisou quase 900 jovens adultos em países africanos e revelou que a maioria não apresentava os marcadores típicos do diabetes tipo 1, embora também não se encaixasse no perfil clássico do tipo 2.

Historicamente, essa forma de diabetes já havia sido observada na década de 1950, quando o médico britânico Philip Hugh-Jones identificou pacientes na Jamaica com características semelhantes. Na época, a condição foi chamada de “diabetes tipo J”, mas acabou esquecida por décadas.

Especialistas afirmam que dar um nome oficial à doença é fundamental para ampliar pesquisas, direcionar políticas públicas e atrair financiamento.

Redação

Referencia: https://www.livescience.com/